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terça-feira, 8 de setembro de 2015

O descaso da Lei A Tito Filho


Há muito tempo hesitei em escrever sobre isso. Não escrevi. Quis dar tempo ao tempo. Enquanto uma porrada de conhecidos diziam: “Esquece isso! É dinheiro perdido”, eu continuava acreditando que uma hora daria certo, que o bom senso venceria e que a migalha prometida para projetos culturais seria entregue aos proponentes selecionados.

Mas vamos do princípio: tenho dois projetos aprovados na Lei A Tito Filho, um de 2009, intitulado “Quadrinhos Pós-68”, de R$17.107,00 e outro de 2012, chamado “Reanimando Arnaldo Albuquerque”, de R$ 22.573,00. São quase R$40mil. Parece muito? Não é! No edital de 2012 foram prometidos R$1milhão de reais, divididos para 35 projetos.

A informação que eu tenho é de que nenhum desses 35 projetos foram pagos, que, sequer, foram feitos os contratos entre os proponentes e a Fundação Monsenhor Chaves (FMC). Não estou afirmando isso de forma alheia. Lembro que fui, no começo de 2013, até à FMC perguntar sobre o porquê de eu ainda não ter sido chamado para assinar um contrato com eles sobre um dos projetos aprovados em 2012. A resposta que tive de alguém do setor jurídico foi: “porque ainda estamos devendo editais anteriores e não vamos fazer isso”. Ou seja, a FMC já estava devendo vários pagamentos de editais anteriores e não pretendia comprometer-se em mais R$1milhão com novos projetos. A questão é que o edital foi lançado em 2012 e 35 novos proponentes foram contemplados. É muita hipocrisia lançar um edital e depois dizer que “não podemos assinar com vocês o que prometemos”. Estavam lhes resguardando esse direito de não se auto incriminarem legalmente, afinal, sem um contrato assinado, pouco podemos fazer.

Mas a lista dos projetos aprovados em 2012 continua disponível no site oficinal da FMC. Aqui está o link.



Entretanto, ter um contrato assinado com a FMC não parece significar muita coisa, já que aquele órgão encarrega-se de perdê-los ou ignorá-los. Sim! A FMC perdeu meu contrato de 2009, perdeu o processo duas vezes, inclusive a prestação de contas que tinha feito da primeira parcela, recebida com quase 3 anos de atraso. Menos mal! Recebi uma parcela, prestei contas, mas não tenho mais expectativas em receber a 2ª e 3ª parcela, indispensável para a concretização do projeto (vale ressaltar que dividir os projetos em 3 parcelas já é ridículo por si só! Com o dinheiro previsto para minha 2ª parcela eu não poderia fazer nada, a não ser esperar o dinheiro da 3ª parcela para puder pagar o custo de impressão do meu livro, objeto do projeto).

Há algumas semanas fui ao escritório do presidente da FMC, o sr. Lázaro do Piauí, falar sobre isso. O projeto “Reanimando Arnaldo Albuquerque” está acontecendo por conta do esforço de pessoas como Neila Rocha e Maiça Chaves, ambas do Projeto de Ilustração e Animação – PIA – UFPI.  Elas estão arcando com todos os custos porque possuem todo o interesse pela arte do Piauí, cuidado esse que a FMC e a própria Prefeitura de Teresina não demonstram. Fui até lá explicar ao Lázaro que o produto do projeto Reanimando Arnaldo iria sair, inevitavelmente, mas que seria muito bom se a FMC fizesse valer o edital de 2012 e disponibilizasse os recursos previstos para que houvesse uma parceria entre todos nós que financiasse esse projeto e pudesse pagar toda a mão de obra envolvida. Acontece que o sr. Lázaro não é o responsável por desses editais, mas representa a instituição que os acometeu. Então, ainda espero que algo possa acontecer. Perdoem minha inocência.

Estive receoso de falar sobre isso desde o começo do ano porque em janeiro passado faleceu o Arnaldo Albuquerque, primeiro quadrinista a publicar no Piauí, e meus dois projetos aprovados na Lei A Tito Filho envolviam a arte dele.  Não quis parecer um oportunista utilizando a morte de Arnaldo como bandeira, mas quando penso que se os editais da FMC fossem levados a sério pelos gestores públicos, eu poderia ter homenageado este homem com dois produtos culturais sobre sua arte ainda em vida, e a indignação me sobressalta.

Por toda a arte que deixou de ser exposta ou produzida através da Lei A Tito Filho, por esses míseros R$1milhão de reais que parecem tão impossíveis para a cultura do município de Teresina, que desde 2012 parece ficar cada vez mais longe, espero que todos sintam vergonha. Todos! Inclusive eu.


Se você é um autor de projeto que esteja em situação parecida com a minha, proponho criarmos uma carta aberta e procurarmos algum tipo de processo coletivo, seja através do Ministério Público, seja por algum caminho que alguém conheça melhor que eu. Coloque nos comentários abaixo, seu nome, o nome e o ano do projeto que a Lei A Tito Filho está em débito com você.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Por que queremos comemorar o Halloween e não o Dia dos Mortos?


Por Bernardo Aurélio

Sabe uma coisa que me incomoda? Não é somente o fato de estarmos criando uma tradição do Halloween no Brasil, não sou xenófobo a esse ponto, adoro a cultura norte-americana ou britânica, assim como também curto a arte oriental e tudo mais... O que me incomoda é muito simples: o Halloween é dia 31/10 e nós não tínhamos praticamente tradição nenhuma com essa data, mas a estamos cultivando quando poderíamos buscar reverenciar uma data muito mais próxima de nossa realidade: o dia de finados, que é dia 02 de novembro, bem pertinho desse dia das bruxas.

É claro que no Brasil há bruxas e todo esse folclore de vampiros e lobisomen, mas, inevitavelmente, quando uma menininha se fantasia de bruxa ela acaba vestindo roxo e um chapéu pontudo daqueles com o qual não vejo nenhuma identificação com nossa cultura. O que me incomoda é perceber que existe um certo esforço para que um dia crianças em todo o Brasil se fantasiem e vão de porta-em-porta pedir doces ou travessuras sem saber o real significado desse ato. Eu não sei o real significado desse ato! E nem me importo em saber... O que me incomoda é saber que já existe no Brasil uma cultura profundamente enraizada de visitar os mortos no dia 02 de novembro. Existe um ritual forte e tradicional que não foi inventado aqui no nosso país nas últimas décadas, mas é secular. Nosso dia de finados é fruto de uma cultura colonial e católita, por isso também a data é tão forte no México, que é um país muito mais próximo de nós do que os EUA.



Tenho certeza que no México, ali coladinho com a Américo do Norte, não se comemora o Halloween. Eles comemoram el dia de los Muertos! Que coisa legal! E eles comemoram mesmo! É uma grande festa e movimenta um mercado imenso, afinal: o culto aos mortos é também um culto a criaturas folclóricas e à identidade de seu povo. Se precisamos fazer uma festa para o terror no Brasil e vender aranhas de borracha e dentes de vampiro, vamos fazer isso do jeito brasileiro. Vamos festejar nosso tradicional dia dos finados! Cuidado! Pois as almas estão sempre nos observando...

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Eu não sou...




Será que eu sou o único no mundo que me incomodo em ser chamado de nerd?
Um rápido exame de conceitos e uma veloz pesquisa no wikipédia me dizem que "nerd" é uma palavra que pode significar "pessoa que tenha dificuldades de integração social e seja atrapalhada, mas que nutre grande fascínio por conhecimento". 
Outros textos dizem que nerd  pode ter si originado da "gíria nurt, que designa pessoas loucas". 

Algumas pessoas podem bater no peito, com um certo preconceito, por achar "nerd" pejorativo e dizer que são "geeks". Mas, na origem, a palavra geek era sinônimo de "fool" (bobo).

Então, senhores, por mais que possa exister o "Nerd Power" hoje, pra mim, não passa da aceitação de um insulto. Pois o fato de eu gostar de quadrinhos não me faz um nerd, anti-social, depressivo, forever alone, ou inteligente, mesmo sendo bobo e lerdo. No meu conceito, o termo nerds foi utilizado pra definir integrantes de tribos urbanas desprovidas de esperteza, apesar de inteligentes. Isso é o que eu penso quando chamo alguém de "Nerd". 

Por isso, amigos, se eu tenho uma livraria especializada em quadrinhos, não me julguem como nerd. 

Obrigado.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Boa viagem...

Essa semana um amigo vai partir em uma viagem de centenas de quilômetros sem data para voltar em busca da vida de um monge zen budista. O que mais me impressiona nisso é que antes ele vai parar no Rio de Janeiro e vai aprender a surfar...
Não é a primeira vez que ele parte. A primeira vez, pelo menos a que eu sei, durou uns cinco anos: queria ser cineasta e voltou do sul diplomado. Fez dois ou três filmes que não o satisfizeram.
Ele também escreve. Coisas boas, inspirados por algo invisível ou palpável.
Hoje usa a cabeça raspada, mas já foi balula ou moicano. Outra vez, deixou um rabinho de porco descendo pela nuca.
Já usou cachecol italiano, terninho de veluno, all star dourado (o único que tive o privilégio de ver na minha vida) e blusas com um elefante hindu divino que eu esqueci o nome. Mas sei que de todas, ele prefere as coloridas.
Já foi abstêmio, já provocou escândalos de ébrio e outras coisas que me esquivo de comentar.
Ostentou a vida livre, mundana e já, inclusive, defendeu a divindade do celibato e foi contra o prazer solitário, o injusto e infeliz cinco contra um.
Certa vez o vi levando sua doença pra passear, com uma bata de hospital que o que tem de mais terrível, além daquele azul apático, é o fato de mostrar a bunda cabeluda do infeliz pelo corredor. Ele passeava como quem anda com seu cachorrinho na coleira, e foram dias quando esperamos o resultado de testes angustiantes.
Amanhã ele vai embora. Mas ainda não se criou esse clima de despedidas. Da primeira vez que ele foi eu dei um tapinha nas costas dentro do aeroporto e disse “até” como se fosse encontrá-lo no bar da esquina no final de semana que vem. Tiramos umas fotos. Semanas depois, quando o computador deu um pau e lá se foram meus arquivos, chorei de despedidas daquelas fotos perdidas.
Quando souberam dessa nova viagem, alguém (meu irmão) disse que tratava-se da pira da semana. Que seja... Que posso dizer? Na real? De alguém que nunca surfou pra alguém que vai fazer isso o Rio? Se ele conseguir fazer um tubo (ou algo parecido) dentro de uma onda em copacabana ou ipanema, já valeu a pena.

Boa viagem!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Lei A. Tito Filho está com inscrições abertas

Um dos projetos de incentivo cultural que mais tem dado um empurrãozinho para artistas piauienses está com inscrições abertas. Foi lançado o Edital 2009 da Lei de Incentivo Cultural – Projeto A. Tito Filho, feito por intermédio da Prefeitura de Teresina, Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves e do Conselho Municipal de Cultura. As inscrições podem ser feitas até o dia 15 de dezembro na Sala do Conselho Municipal de Cultura, que funciona no Palácio da Justiça, na Praça da Bandeira.

De acordo com o edital 2009, disponível no site da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves [www.fcmc.pi.gov.br], o projeto contempla as áreas de música, teatro, dança, cinema, fotografia e vídeo, literatura, folclore, artesanato, artes plásticas, patrimônio histórico, cultural e natural, de natureza material e imaterial, bem como pesquisas nas áreas referidas. O objetivo do incentivo é a exibição, utilização e circulação pública dos bens culturais deles resultantes.

Neste ano, o projeto está aberto para artistas, produtores, grupos ou companhias com atuação no Município de Teresina, no qual cada proponente pode inscrever somente um projeto, como autor ou co-autor. Serão disponibilizados R$ 500.000,00 do Fundo Municipal de Cultura para os projetos.

As inscrições são gratuitas são recebidas pela Comissão de Gerenciamento e Fiscalização de Projetos, do Conselho Municipal de Cultura, até o dia 15 de dezembro, exceto aos sábados, domingos e feriados, no horário das 8:00 às 13:00 horas, no Palácio da Justiça, localizado na Rua Coelho Rodrigues, 954, Centro, em Teresina.

Os projetos serão apreciados por uma comissão formada por especialistas escolhidos dentre pessoas de reconhecida competência nas diferentes áreas abrangidas pelo edital.

No ano passado foram inscritos 170 projetos, sendo 56 da área de música, 38 na literatura, 23 de teatro, 15 em vídeo e outros 38 nas demais áreas.

A LEI

A Lei A. Tito Filho (Lei nº 2.194) foi criada em 1993 e já possibilitou o financiamento de cerca de 180 projetos em várias áreas, o que tem contribuído para incrementar o cenário cultural da cidade. O incentivo fiscal às empresas dá-se com o ressarcimento total, pela Prefeitura de Teresina, através de desconto de ISS e IPTU (ou seja, 100% do valor investido no limite de 20% do imposto devido). O artista entrega seu projeto à Secretaria da Lei que o repassa ao Conselho Municipal de Cultura, para apreciação e posterior aprovação nas diversas áreas.

A Lei recebeu esse nome em homenagem ao Professor Arimatéa Tito Filho, escritor, que foi membro da Academia Piauiense de Letras e grande incentivador da produção e valorização da cultura teresinense.

sábado, 20 de junho de 2009

Aberta inscrição Curso de Elaboração de Projetos‏

Olá Pessoal,



Informo que está aberta a inscrição para curso de Elaboração de Projetos, no período de 22 a 26 de junho, no horário 8h as 12 e das 14h às 18h, no Sebrae, 1º andar, na Unidade de Coletiva Comercio e Serviço.

O curso possui uma carga horária de 40 horas, divido em dois módulos, de 20h cada. Será ministrado pelo consultor José Gutemberg.

I módulo: 29/06 01,02, e 03/07/09

II módulo: 20, 22, 23 e 24/07/09



Conteúdo Programático:

Abordagens a respeito do planejamento

Elaboração do diagnóstico

Introdução do Projeto

Indicadores

Metas

Operacionalização

Público-Alvo

Resultados Esperados

Avaliação e Monitoramento

Aspectos Financeiros



Atenciosamente,



Maria Alreni Lima Silva

Gestora do Projeto Cultura e Negócios Integrados

Fone: 86 3216-1385

E-mail: alreni@pi.sebrae.com.br