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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Sin City – A dama fatal é muito bom

Ave!, Eva é Ava.

(Leia sem medo. Nada comprometedor)

Assisti recentemente ao novo Sin City. Que filme, heim? Não resisti e no dia seguinte fui até meu armário, peguei os 7 volumes publicados pela Devir. Dei uma folheada para relembrar e tentar fazer uma comparação. Li algumas páginas. Impressionante. Miller parece escrever e desenhar como se estivesse gravando em pedras. Irretocável. E que adaptação de Dama Fatal! Tirando alguns detalhes, apenas para tornar a história mais fluida no cinema, e até melhorando o efeito visual de algumas cenas que o audiovisual proporciona: como os carros rodeando Marv, como se fossem seus pensamentos, na cena de abertura do filme.

Pense numa porrada doida!

Enquanto assistia, reconheci facilmente algumas cenas espetacularmente adaptadas para a telona, como Ava pulando do trampolim e escorregando gentilmente para dentro da piscina, que ficaram gravados em minha memória de quando li o álbum, mas também fiquei angustiado porque não reconhecia as outras histórias que compuseram o filme. Na primeira adaptação, usaram A Grande Matança, Assassino Amarelo e A Cidade do Pecado (além do conto “O cliente tem sempre razão”, que é a abertura do filme), histórias que focam em Dwigth, Hartigan e Marv, respectivamente. As outras 4 edições publicadas no Brasil são: A Dama Fatal, A Noite da Vingança, De Volta ao Inferno e Balas, Garotas & Bebidas. Essa continuação para o cinema tem como base, obviamente, A Dama Fatal, narrando a história pregressa de Dwight, ou seja, conta uma história anterior ao que vimos no primeiro filme, que tem também outras duas histórias, além do curta “Mais uma noite de sábado” (sequencia de abertura).

Poker.

As histórias que me inquietaram durante o filme, porque não as reconheci, é uma sobre jogos de Poker com o Senador Roark (pai do Assassino Amarelo) e outra que mostra a vida de Nancy, a dançarina apaixonada por Hartigan, como se fosse a continuação direta daquilo que vimos no filme anterior. Ora! Essas histórias não foram desenhadas por Miller! Ou pelo menos não foram publicadas por aqui, até onde eu sei. Corrija-me quem puder! O fato é que são também muito boas histórias, e eu conseguia visualizá-las em 2D, nanquim e preto & branco em alto contraste.

Hartigan e Nancy.

Algumas das mudanças mais sentidas foi a troca de alguns atores. Dwigth não é mais Clive Olwen (mas tudo bem, isso nunca seria um problema, se você conhece os quadrinhos). Miho também mudou, o que parece ter agradado a maioria. A falta mais sentida é a ausência de Michael Clark Duncan como Manute, mas tudo bem, arrumaram também um ator à altura do personagem, não incomoda tanto.



É um filme irreal, com seus exageros maravilhosos, exalando hormônios e fumaça. Recomendo muito. Vá assistir com a namorada, porque minha mulher disse que é até um filme romântico.




Obs: Ainda há muita coisa daquela cidade baixa que não foi adaptada para os cinemas. Esperando um terceiro filme, de volta ao inferno, e que não demore tanto para acontecer.

Tchau!

sábado, 9 de agosto de 2014

Você prefere Marvels ou Reino do Amanhã?


A década de 1990 é famosa por conta dos seus quadrinhos ruins. Toda uma geração que foi criada por desenhistas como Rob Liefeld e seus genéricos, sagas intermináveis e estragadas (como os clones do Aranha) e capas metalizadas pra vender mais X-men sem conteúdo. Entretanto, é uma década que nos proporcionou duas obras divisoras de águas na história dos quadrinhos de super-heróis: Marvels e Reino do Amanhã.

As duas obras foram desenhadas por Alex Ross, que imortalizou seu nome na indústria depois disso. Marvels foi feito em parceria com Kurt Busiek e Reino do Amanhã com Mark Waid. A primeira conta o passado do universo Marvel, a segunda é sobre o futuro do universo DC. Durante muito tempo me perguntei qual das duas era a melhor e percebi que, para além de estereótipos do tipo “marvete” ou “decenauta”, definir isso envolvia outras sensibilidades.

Marvels é de 1994 e Reino do Amanhã foi lançada dois anos depois. Um olhar cuidadoso percebe que Alex Ross melhorou significativamente sua técnica de pintura. A arte parece mais bem feita. Reino do Amanhã também possui cenas mais impactantes, com lutas épicas, além de um clímax de tirar o fôlego. Talvez seja uma das melhores histórias de super-herói de todos os tempos com um tema muito relevante: os velhos mitos ensinando como continuar sendo “heróis” à nova e despreparada geração. Uma história sobre aprender com os velhos.

Marvels, por ser uma minissérie que se passa em 4 tempos diferentes do universo Marvel, possui sua continuidade cronológica, mas não tem um “crescendo” que culmine em um grande momento, como acontece no exemplo da editora DC. Diferente de Reino do Amanhã, que tem nos míticos Superman, Batman, Mulher Maravilha e Shazam os protagonistas, Marvels conta a história sob a perspectiva dos humanos normais, de um repórter fotográfico chamado Phill Sheldon, que registra a passagem das “maravilhas” pela Terra, desde o Tocha Humano e Namor dos anos 40 até o Homem-Aranha dos anos 70, passando pela paranoia anti mutante do final dos anos 60. Trata-se de um registro histórico que os senhores Alex e Kurt observaram cuidadosamente, vasculhando os detalhes do universo Marvel, tendo as publicações da época como verdadeiros documentos-fonte.

Decidir se você gosta mais de Reino do Amanhã ou de Marvels é dar preferência a um de dois gêneros diferentes. O gênero de ambos esses quadrinhos não é exatamente “super-herói”. Reino do Amanhã tem seus heróis mitológicos e suas grandes lições e maneira épica de ver a vida. Marvels é uma história humana numa maneira moderna e cotidiana de ver a vida, por mais incrível que ela possa parecer.

De certa forma, essas obras significam ou representam bem a linha editorial de onde foram criadas. Marvel e DC. Mais humano, mais mítico.

Então, que tipo de narrativa você prefere: o épico aventureiro fantástico ou moderno cotidiano histórico?

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Motoqueiro Fantasma: Estrada para a Danação


A coisa toda começa ruim pelo título. Um trocadilho infeliz com “Estrada para a Perdição”, quadrinho que foi adaptado para cinema em um longa com Tom Hanks, tão bom que não merecia essa “homenagem” (imagino que a ideia infeliz foi de algum tradutor da Panini ou Salvat, que deve ter achado genial). Neste quadrinho sobre um Motoqueiro Fantasma tentando fugir do inferno, onde é eternamente caçado por uma horda destruidora, que, diariamente, trucida seu corpo fumegante, parece que Garth Ennis (Preacher) está na pior fase de sua carreira.
É uma história boba, que se esforça em chocar com cenas fortes de corpos sendo mutilados e explodidos. Não se trada da mutilação em si ser ruim, o problema é ela ser completamente desnecessária, não acrescentar nada na “trama” da história, como, por exemplo, em toda a sequência onde aparecem membros da Klu Klux Klan sendo explodidos. E até mesmo quando vemos um anjo e um demônio lutando e usando o corpo de dois soldados como armas (que poderia ser bem legal) é completamente estragada pela arte ruim de Clayton Crain. Aqui eu abro um parêntese para dizer que Crain pode até ser um bom ilustrador ou capista, mas acredito que um editor inteligente, depois de ver o que fez nessa HQ do Motoqueiro, não daria novamente um título mensal para ele. As páginas são extremamente confusas, escuras demais, com diagramação ruim além de ser dono de um desing sofrível, tanto para equipamentos (como a cadeira de rodas de um dos personagens principais) como para o demônio vilão da história, que não passa de um monte de carne desconexa.
Voltando a falar mal de Ennis, ele recheia a história com personagens descartáveis, como o “bunda-na-fuça”, que de tão intragável me faz começar a ter raiva até do “Cara-de-cu” (esse sim, um personagem bacana, criado por ele em Preacher. Só fiz a comparação porque existe certe semelhança semântica) ou o padre Adam, recrutado (pelo céu ou pelo inferno? nem lembro mais) para dar cabo do Motoqueiro Fantasma...
Nem a escatologia típica do Ennis, nem seu texto pagão, criticando Deus e o Diabo, conseguem salvar “Estrada para a Danação”. O autor coloca anjos e demônios na mesma balança, numa tentativa infantil de anular o maniqueísmo de sua obra. Parece um adolescente ateu tentando chocar os pais ortodoxos. 
É extremamente decepcionante alguém escolher uma história como essa para colocar no que chamaram de “coleção oficial de Graphic Novels da Marvel”... Will Eisner, que cunhou o termo graphic novel, deve estar se revirando no túmulo.
No único momento que vale a pena do quadrinho, tem um anjo sentado na lua olhando para a Terra cheia de humanos e diz: “devíamos ter ficado com os dinossauros”. Então vejo minha situação, sentado na cama, olho pra esse álbum da Salvat e penso: “devia ter lido minha Tex”.


P.S: Quase tão ruim quanto Guerra Secreta, de Brian Bendis.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

E de Extinção

Por Bernardo Aurélio

Nunca fui um grande leitor de X-Men. Na verdade, conheço pouquíssimo da vasta novela mutante interminável que durante décadas foi escrita por Chris Claremont e dezenas de outros autores. De certa forma, na ignorância, reverencio o título. Também não sou um grande fã de Grant Morisson. Da sua obra, guardo na memória obras belíssimas como Superman – Grandes Astros, Asilo Arkhram e Homem Animal. Entretanto, como um leitor em débito com o universo Marvel, resolvi colecionar as edições publicadas pela Salvat e eis que li: E de Extinção.


A primeira coisa que chama atenção são os desenhos do Frank Quitely, daquele tipo “ame-o ou odeio-o”. O desenhista já fez dobradinha com o escritor em outros títulos, como Flex Mentallo e Superman, que acabei de citar como um dos pontos autos do autor. Outra coisa que chama atenção é que é uma obra pequena, em apenas três partes, dessas histórias que devem (digo “devem” pq não acompanho a série regular de X-Men) se destacar no meio de tantos títulos mensais que tem um enorme “X” na capa. É como se, no meio de tanto mainstream um pequeno arco de três edições pudesse se tornar um ponto alto na biografia do grupo.

E de Extinção conta a história de um novo plano usando antigos Sentinelas (robôs roxos que, apesar da démodée, são especialistas em matar mutantes, mas nunca foram muito eficientes) reformados para melhor fazerem seu trabalho. Por trás deste plano está Cassandra, um ser que aparentemente possui poderes mentais e... (bom, odeio spoillers). A história é grandiosa e acontecem coisas que não podem ser consertadas, como a morte de 16 milhões de mutantes (ops... desculpem!).


Outro ponto interessante é o questionamento levantado em alguns momentos: porque existem mutantes legais como Wolverine e Jean Gray, que são superpoderosos e sexys, além de parecerem humanos normais, enquanto, ao mesmo tempo, existem monstros cada vez mais bestiais como o Fera e outras criaturas mais aterrorizantes? Que tipo de evolução é essa que gera o pobre John Feioso, onde o único salto evolutivo que o gene X foi capaz de fazer trata-se de uma cabeça com três rostos que não podem fazer nada contra um Sentinela? Afinal, pq certos mutantes são extremamente poderosos, bacanas e bonitões enquanto outros não parecem humanos?


Fica a pergunta que, na verdade, tem em sua resposta, a grande sacada dos X-Men: o diferete gera repulsa e ódio.  E o pobre John Feioso é apenas feio pq não parece humano.



Enfim, recomendo.

Sem falar que a Emma tá um pitel.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Por Dentro do Máscara de Ferro: as experiências de um herói interior.

Por Aristides Oliveira



Não, aqui você não encontra ninguém vestido com roupas super-coloridas, poderes daqueles que soltam fogo pela boca, raios pelos olhos, muito menos lutas coreografadas. O trabalho do quadrinista e articulador cultural (isso, articulador... produtor de ambientes culturais na área das HQs em Teresina, o que falta a muitos criadores hoje em dia...) Bernardo Aurélio passa longe das explosões gratuitas dos nossos amados heróis imperialistas, mas com uma influência fundamental no seu processo criativo.
Antes de falar de Por Dentro do Máscara de Ferro, vale a pena situar a importância do autor na cena das HQs na cidade. Autor de Foices e Facões – A Batalha do Jenipapo (junto com Caio Oliveira, seu irmão e artista dos bons, que participa do livro como desenhista convidado), Bernardo faz parte do Núcleo de Quadrinhos do Piauí, onde organiza (ao lado de uma equipe muito coerente) feiras temáticas em Teresina desde 2001 até então, movimentando o circuito dos quadrinhos independentes por aqui com muita responsabilidade.
O culpo diariamente por me tornar um apaixonado pelos quadrinhos há quase um ano, depois da indicação de Batman: Ano Um... não consigo parar de ler HQs... enfim... vamos voltar ao que interessa....
Por Dentro do Máscara de Ferro é um livro que te atrai fisicamente. Grande, vermelho, com uma capa impossível de resistir à leitura, gostoso de segurar e carregar por aí. Um diferencial que gostei foi o cruzamento com outras linguagens, marcados pela inserção do texto em prosa no início da história, seguindo com seus traços em p&b, bem como a preocupação com a paisagem sonora nos momentos mais importantes da saga. É, música e HQ transitam no mesmo espaço.
Já no índice, Bernardo lança para o leitor uma trilha indicada, prescrição sonora que desobedeci (quando comecei a ler, veio outro barulho na minha cabeça, pois na minha construção sonora do personagem coube outros sons, como Ten Years After e alguns momentos de Neil Young...) para experimentar outras possibilidades de leitura e exercícios particulares de imaginação.
A cada situação valiosa na trama, Bernardo faz as indicações sonoras aparecerem ao leitor, como podemos visualizar em Acelerando em marcha ré, com a trilha Foi tudo culpa do amor, de Odair José ou As rosas não falam, de Cartola e outras seqüências musicais articuladas ao enredo. Assim, Bernardo abre espaço para ampliar as sensações do público, tornando seu trabalho mais sonoro-visual-pop-experimental. Um jogo de mixagem que deve ser feito tanto com as músicas sugeridas e as que compõem o universo do leitor, sacudindo as experiências do personagem.
Numa oficina de carros, o jovem mecânico tenta recuperar o motor de um Maverick (entra o som de Alvin Lee e Ten Years After... viu? Não pude evitar...). Neste cenário é que a história do Máscara inicia em texto-prosa. Sua mente está dividida entre o fim de um relacionamento e o trabalho que o consome... a rotina... a repetição, a vontade de mudar o percurso: “tenho pensado em tentar coisa nova” (...). “O problema é esse: não sei o que quero. Só sei que preciso sair dessa oficina vez ou outra (...)”.
Uma inquietação move aquele mecânico, algo estava fora do lugar... A operação de reviver o Maverick foi um fracasso... Fecham-se as portas da oficina. A paisagem fica cada vez mais noturna e úmida. Um leve chuvisco, daqueles leves e demorados, com relâmpagos e trovões ao fundo... Nosso olho está do lado de fora da garagem aparentemente vazia e triste, esperando algo acontecer, pois dá pra ver lá dentro que a luz está acesa...
“A garagem abre. Dois faróis acendem (...). A Kombi ganha a rua. Dentro dele, pela primeira vez, a alma de um aventureiro encontra aquele botão de adrenalina escondido, que injeta batidas fortes no peito”. Eis que explode o Máscara de Ferro.
Caracterizado por uma máscara típica dos soldadores, carregando no seu “cinto de utilidades” um maçarico, umas chaves de boca e roda, martelo, pregos, porcas, um cano e o “antigo 38 do meu velho pai”, o Máscara de Ferro sai em busca de aventuras nas noites de Teresina.
Entre ações frustradas como “super-herói” da noite e explorações das suas habilidades, o Máscara abre para nós uma reflexão que move sua caminhada: “Será que temos de ser loucos para sermos heróis? Será que todos não usamos máscaras?”
E assim, vamos acompanhando o processo de auto-descoberta do Máscara. Após a cômica “carga dramática” que movimenta a performance do nosso herói, ele salta pelo ar e vivencia um conjunto de experiências fundamentais para reorganizar seus sentimentos, mesmo em conflito com seu melhor amigo: “Alguma vez, da altura desses teus vinte e poucos anos, tu já sentiu uma maldita certeza de que queria fazer alguma coisa na vida e que só o que te impedia era tu mesmo?”
Caminhando por Theresina (já escura), ele vai em direção aos seus fantasmas, pois a sua máscara é o instrumento que potencializa todas as suas vontades mais secretas, agora compartilhadas entre nós. É aí que fui imaginando os traços autobiográficos em convergência entre Máscara e seu autor, que o toma como elemento para explorar paisagens talvez inabitadas, se não houvesse a armadura construída para tal.
A busca por justiça, ameaçada por um desejo mal compreendido? A angústia e a vontade de invadir os olhos da antiga amada? Uma curiosidade insistente pela felicidade dela? Porquê tomar os olhos dos outros? “Você ainda não conseguiu colocar uma pedra por cima disso”? Estaria o Máscara, (como todos nós...) buscando uma armadura para resolver seus conflitos mais íntimos? Quantas Kássias precisamos (diariamente) para exorcizar nossos demônios, a fim de reinventar a noção de desejo e todo aquele pó que cobre nossas taras? Aqui entra Marina Lima (na minha trilha sonora), situando o amor dos dois: “Os dois cansados, de tanto amar, empapuçados, pra poder fugir, os dois cansados, de viajar, maravilhados, pra poder fugir, enquanto você se afasta me desenterro...”
Nada como a água para purificar os conflitos internos, mesmo com Deus cuspindo verdades que a gente não quer ouvir. Às vezes a gente toma o aprendizado como algo doloroso e é dessa forma que vejo o Máscara, um personagem que carrega a vontade de desbravar todos os seus limites e de conhecer esferas que fogem das convenções estabelecidas. Como invadir sem proteção? Como não sentir dor se algumas explorações podem nos custar um preço alto?
Todos os desbravadores da vida, seja por meio lícito ou não, guardam nas mochilas suas máscaras de ferro, pois o corpo não suporta todas as pressões: “somos tão falíveis”...
Sentado na calçada, conversando com uma garota perto da Ponte Metálica, talvez o Máscara tenha encontrado algum estilhaço que possa ser útil para aliviar seus conflitos. “Sabe o que acontece quando se pede algo a Deus? Ele te dá a oportunidade de provar para si mesmo se você merece o que quer... depende mais de você e das suas escolhas do que da vontade dele”.
Os demônios que o cercam são expulsos para que um Amor possa entrar. O Máscara enfrenta todos os seus inimigos interiores, amplia todos os seus horizontes de experiência, para finalmente completar seu objetivo mais importante: se reencontrar a partir do outro.
Bernardo é o Máscara de Ferro? Aonde você esconde a sua? Você já explodiu em si mesmo para arrancar as armaduras que o impedem de viver um grande amor? Não seria a nossa máscara um artefato moralista-conservador, diante da maravilhosa possibilidade de transitar pelo Inferno e por vários corpos oferecidos por Dino Buzzati? A diferença entre Máscara e Orfi é que aquele não usa violão para lutar contra seus maus espíritos, mas convergem no mesmo “inventário de ‘baixezas’ e de ‘nobrezas’, aquelas que se abrigam no coração de todos” (TOSCANI, Cláudio).



Orfi sofre o luto de não capturar Eura e o Máscara vive feliz, jogando fora sua armadura para poder (finalmente) olhar sem medo para a mulher que ama, encerrando uma saga interior, pois “poucas coisas no mundo devem ser como estar no fundo da rede com quem você quer”. A vida segue.


Aristides Oliveira é jogador de bola aos domingos, leitor de HQs amador, professor de História da Universidade Federal do Piauí (Floriano), editor da revista Acrobata.



domingo, 10 de novembro de 2013

Quente era a manhã...



OG Rego de Carvalho é daquele tipo raro de escritor que escreve apenas quando sente que precisa. Seu texto não tem nenhum excesso, assim como sua obra. A ficção reunida resume-se a 3 romances e não precisaria mais que o livro de estréia para colocá-lo na história: "Ulisses entre o Amor e a Morte" é um marco.

OG é um escritor que mudou meu jeito de praticar a escrita e entender a arte. "Como e porque me tornei escritor", livro escrito por ele, deveria ser obrigatório a qualquer pessoa que pensa em escrever algo na vida.Escancarar o coração, ser verdadeiro, mas sem ser piegas:ele me ensinou esse tipo de conteúdo. E escrever sem floreios desnecessários: ele me ensinou essa forma.

Tentei adaptar "Ulisses" para os quadrinhos, mas não tive recursos para continuar. O livro já foi para o teatro e provou que tem força para alcançar qualquer mídia. Ainda acho que dará um excelente gibi.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Resenha de Impressões de Viagem


HOLLANDA. Heloísa Buarque de. Impressões de Viagem: CPC, Vanguarda e desbunde. 1960/1970. Rio de Janeiro: Aeroplano. 2004.

Bernardo Aurélio de Andrade Oliveira


Heloísa Buarque de Hollanda é uma mulher completamente imersa na vida acadêmica que leva, onde os temas das pesquisas que desenvolve misturam-se com sua própria vida. Característica essa, inclusive, denunciada abertamente por ela mesma nas primeiras páginas de sua tese, Impressões de Viagem, quando diz que “num certo sentido, a investigação desse debate é a investigação dos fundamentos do meu próprio percurso intelectual” (2004, pg. 15). Percurso que ainda estava se desenhando, pois Heloísa tinha a consciência de que estava tratando de um assunto contemporâneo, que ainda estava em processo, era uma análise de algo que estava acontecendo, ainda no calor dos anos 70.



Impressões de uma Viagem, a tese de doutorado de Heloísa, foi publicado originalmente em 1979 e trata-se de um estudo em torno da produção cultural brasileira tendo como recorte temporal desde o governo JK até à implantação do AI 5, durante a ditadura militar. Por conta disso, Heloísa, na introdução do livro escrita ainda em dezembro de 78, assume tratar-se de um risco assumido desenvolver um trabalho de análise de um período tão presente e ainda tão indeterminado em sua vida e na história política do Brasil. Ela afirmou “ainda que isso promova dificuldades no sentido da falta de uma perspectiva histórica mais definida, ou mesmo quanto à delimitação do objeto de análise, traz, em contrapartida, a possibilidade tentadora de uma atuação crítica no próprio desenrolar desse processo” (pg.14). Ela tinha plena consciência de que ainda estava no meio de um processo político que, de certa forma, havia se iniciado em 1964, com o golpe militar, e que pretendia desenvolver seus argumentos ao longo de um momento histórico que não tinha ainda um recorte final definido.

É interessante colocar que em Breve nota da autora sobre essa edição, publicada em 2004, Heloísa conta, com uma certa ironia, que seu livro, na época da primeira edição, “sofreu os cortes e as revisões de praxe”, entretanto “esta quarta edição não traz nenhum tipo de alteração, nem mesmo as correções que claramente se faziam necessárias. Achei importante manter a perspectiva fortemente conjuntural que dita o tom e sua atualidade enquanto testemunho da época” (pg. 08). Ou seja, o livro não teve nenhuma alteração em seu conteúdo comparado com sua edição original, publicada 25 anos antes, nos apresentando um verdadeiro relato do calor do momento dos anos de chumbo brasileiro. Isso torna-se mais interessante ainda para a prática da história nos dias de hoje quando damos cada vez mais valor às características narrativas de um historiador. Heloísa, no final de sua introdução, escrita em 1978, diz que seu texto é mais próximo de um relato narrativo, “a opção pela 'distensão' da forma de relato, mais própria ao narrador do que ao analista” (pg.15). Quer dizer, existe mais uma narrativa do período, proporcionada pela pesquisa de levantamento de campo, bem como pela proximidade com os objetos de pesquisa, do que uma análise estritamente histórica conforme as exigências que a prática historiográfica dita. A respeito disso, o texto de Zuenir Ventura, presente nas orelhas do livro desde a segunda edição, nos informa que Heloísa “vale principalmente pela audácia do método, que faz a autora misturar-se com o objeto que analisa, a ponto de abrir o primeiro capítulo com um indecoroso 'Eu me lembro...' e terminar o último com um devaneio: 'Fico pensando'...”. A autora, quando coloca-se enquanto narradora, em primeira pessoa, presente e atuante na pesquisa, assume um posicionamento ainda problemático e muito questionável para um historiador de nos dias hoje diante de sua pesquisa: o quanto devemos manter distância de nossos objetos de pesquisa? O quanto devemos ser objetivos e procurarmos nos ausentar enquanto o autor do texto durante nossa escrita? Heloísa sabia dessas questões, mas não se deixou inibir durante a elaboração de Impressões de Viagem.

Francisco Alvim, que faz o prefácio na primeira edição, já nos dizia que Heloísa fala “com a inteligência das coisas bem vividas, do tempo em que viveu e vive. E, nem por isso, sua percepção é limitadoramente realista” (pg.10), reforçando a ideia de que a narrativa da Heloísa representa bem o momento que vivia, pois, para Francisco, o propósito da autora é “recuperar a narração testemunha, voz que quase não se ouve mais nos dias de hoje (por obra do medo e dos tiranos)” (pg. 11). Podemos passar a entender, então, a obra de Heloísa como uma narrativa testemunhal dos fatos que, mesmo com a liberdade estilística do “eu” no texto, não diminui sua prática e nem sua significação na representação histórica do momento retratado, pois sua postura é sempre embasada em referências, citações e rastros da história, procurando dialogar com os discursos do momento, seja os dos poetas analisados, seja os de teóricos como Theodor Adorno ou Walter Benjamim. Mas passemos ao que trata, de fato, o livro.

O título completo é Impressões de Viagem: CPC, Vanguarda e desbunde. 1960/1970. As impressões no título nos remete à característica do relato testemunhal de Heloísa que já abordamos aqui. O recorte temporal do livro também está ali, claro. A pista que nos resta perceber ainda no título são os outros três elementos presentes: CPC, vanguarda e desbunde que representam, de fato os três momentos da história cultural analisados pela autora e que também dividem o livro em três capítulos principais, respectivamente: A participação engajada no calor dos anos 60; O susto tropicalista na virada da década; O espanto com a biotônica vitalidade dos 70. Vele lembrar que boa parte do volume que compõe o livro, em verdade a metade dele, são anexos importantes para compreendermos os objetos analisados pela autora, como por exemplo O anteprojeto do manifesto do Centro Popular de Cultura, escrito em março de 1962. Manifesto esse com as diretrizes culturais que os agentes revolucionários do CPC deveriam absorver no processo de criação de sua arte engajada militarmente.

“Em nosso país e em nossa época, fora da arte política não há arte popular” (pg.21) cita Heloísa uma frase do manifesto do CPC. Naqueles anos pré-golpe de 64, a força esquerdista era muito presente, a esquerda cada vez mais próxima de chegar ao poder e os protagonistas do CPC afirmavam que faziam uma arte popular revolucionária para lutar contra um inimigo muito claro. Influenciados por ideais marxistas, os cepecistas defendiam que só poderia haver três tipos de artistas: os conformados (alienados), os inconformados (mas não engajados) ou os representantes do exército do front cultural. Para representar esse momento, a autora cita poemas de pessoas como Oscar Niemeyer, que critica a posição dos arquitetos que apenas projetam mansões para os ricos e conclama os representantes de sua classe para trabalhar para o povo, “ponha a prancheta de lado e venha colaborar. O pobre cansou da fome que o dólar vem aumentar. E vai sair pra luta que Cuba soube ensinar” (NIEMEYER apud HOLLANDA. pg. 29).

Arnaldo Jabor também é lembrado por Heloísa, em um texto onde ele faz uma reavaliação do que era o movimento cepecista no qual participou: “A gente pensava que a fome era um caso de falta de informação: se o povo fosse bem informado, aconteceria a revolução” (JABOR apud HOLLANDA. pg. 30). Os cepecistas acreditavam nesse poder transformador, numa arte coletiva, do povo e para o povo. Mais tarde, Jabor diria que o que ficou registrado em sua memória desse movimento todo, da importância que teve “foi esta inédita, incrível, infantil, generosa, gentilmente ridícula crença nos poderes transformadores da arte. Nunca se acreditou tanto na arte como força política, no mundo! (…) Nessa doideira paternalista, nesta tentativa de enfiar Engels por dentro da goela do Pavão Misterioso, se redescobriu (ainda muito bobamente) nossa paisagem social” (pg. 33). Heloísa parece concordar com Jabor com relação a essas críticas, em certos momentos ela deixa transparecer que a poesia cepecista é inferior e um retrocesso à qualidade literária atingida pela geração pós-45 (pag.30). A autora afirma que não é o discurso da obra que importa, mas a função e a técnica literária que dá “acesso à análise dos produtos literários em seus contextos e é através dele que se poderá dizer a função política dessa produção” (pg.32). Diz ainda que a tentativa dos CPCs de criar uma arte clara, de fácil comunicação com o povo, é inútil, pois a “doutrina que se defende exige a linguagem do intelectual” que “travestida em povo trai-se pelos signos do exagero e pela regressão estilizada a formas de expressão provinciais ou arcaicas” (ADORNO apud HOLLANDA, pg. 23 – 24). Ou seja, o discurso do manifesto do CPC seria falho, pois defende a mentira de que o discurso ali implementado pela arte seria do povo, quando na verdade trata-se de um discurso de uma elite intelectual.

A autora ainda afirma que os cepecistas produziram “uma poesia metaforicamente pobre, codificada e esquemática” (pg. 30). Entretanto, mesmo com essas críticas, Heloísa vai tratar da arte de vanguarda, produzida desde a década de 50 com os concretistas, que buscavam a simplicidade do texto e a valorização da forma e do som no poema, e vai traçar um importante paralelo com o movimento dos CPCs. Tanto a poesia concretista, quanto as publicações dos Violões de Rua (revistas vinculada à militância cepecista em 1962), e em seguida o poema-processo (a partir de 1967), seriam todas linguagens de vanguarda. Segunda ela, hoje lhe “parece que talvez tenha sido exatamente do casamento entre CPC e as vanguardas, que sugere uma aparente incompatibilidade de gênios, que a produção cultural brasileira pôde aprofundar suas questões mais graves” (pg. 42), porque a maioria dos vanguardistas, apesar de não serem militantes engajados no front da batalha cultural do período militar, também tinham um posicionamento revolucionário, muitas vezes ligados aos movimentos de esquerda e que mantinham um discurso de militante e, inclusive, sofriam repressão policial.

Para Heloísa, esses movimentos de vanguarda buscavam uma certa sincronização com os elementos fundantes da modernidade, desde a Semana de Arte de 1922, e a maioria de seus representantes possuíam uma certa tendência esquerdizante. Entretanto, somente no final da década de 60, com o surgimento dos tropicalistas, um grupo de pessoas desconfiados “dos mitos nacionalistas e do discurso militante do populismo, percebendo os impasses do processo cultural brasileiro e recebendo informações dos movimentos culturais e políticos da juventude que explodiam nos EUA e na Europa – os hippies, o cinema de Godard, os Beatles” (pg. 61), foi que essas características da semana de '22 se concretizaram numa ideologia de irreverência e de busca de uma identidade popular, legitimamente moderna e brasileira, mas que recusava o discurso populista, desconfiava dos projetos de tomada de poder e valorizava a ocupação dos canais massa. Na Tropicália não há proposta, nem promessa, mas inclusive uma crítica à intelligentzia de esquerda (pg. 63). Por conta dessa características coloridas, desmilitarizada, os tropicalistas foram inicialmente negados por todos os lados. “Quando estourou o tropicalismo os estudantes de esquerda reagiram contra a gente e o poder também. Eu rebolava e os pais de família chiavam” (VELOSO apud HOLLANDA, pg. 63), afirmou Caetano Veloso. Eram homens de cabelos longos, roupas coloridas e atitudes inesperadas que passam a ter uma dimensão de recusa aos padrões de bom comportamento da época (pg.63).

O livro de Heloísa estende-se até o movimento do desbunde, caracterizado pela entrada do pensamento de contracultura no Brasil, com a divulgação da literatura beat, do rock, do pensamento underground, através de fanzines e mimeógrafos, e até mesmo do desenvolvimento da psicanálise. Para esse momento, praticamente contemporâneo à tropicália, “não existe a possibilidade de uma revolução ou transformação sociais sem que haja uma revolução ou transformação individuais” (pg. 74). Começa a se desenvolver a linha do pensamento das particularidades pensadas a partir das necessidades do indivíduo e de suas representações em grupos de minorias: os homossexuais, os negros... Para esse pessoal, até mesmo ser marxista seria algo “careta”.

Um dos nomes mais importantes desse movimento que é colocado por Heloísa foi o de Torquato Neto. No período de sua morte, com a publicação de Últimos dias de Paupéria, seus escritos teriam se tornado uma espécie de bíblia pra toda uma geração de seguidores (pg 78).

Impressões de Viagem consolida-se então como um grande relato, mas também como uma muito eficiente análise de seu momento, sempre indispensável para quem estudo as questões político-culturais dos ano 60 e 70.

domingo, 9 de setembro de 2012

De Tarzan a Homer Simpson


NOLASCO, Sócrates. De Tarzan a Homer Simpson: Banalização e violência masculina em sociedades contemporâneas ocidentais. Rio de Janeiro: Rocco, 2001.

Bernardo Aurélio de Andrade Oliveira1



Sócrates Nolasco é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, psicanalista e escritor preocupado com a questão da banalização da violência nos dias de hoje. Interessado em entender o modo como a violência poderia ser contida na sociedade atual, preocupou-se antes em estudar o porquê desta violência estar muito ligada às questões de paixões e moralidade, mas particularmente no mundo masculino, ou seja, porquê o homem tem mais predisposição à violência cotidiana do que a mulher, atualmente.


Socrates Nolasco, autor

Para mediar essa discussão em seus estudos, o autor quis, antes de tudo, entender o quê significa ser homem, quais são os modelos e fatores que determinam ou definem uma pessoa como homem ou mulher. Nolasco entende que esse problema leva a uma vertigem de pensamento onde se questiona as questões da construção da nossa identidade, onde se pensa no “quem eu sou”. Para esse tipo de determinismo, o autor entende que é importante observar a definição do outro sobre si mesmo para poder fazer comparações, por isso lança mão de citações de textos de literatura feminista, como os de Simone de Beauvoir.


Simone de Beauvoir


Quando a mulher constrói sua oportunidade, chega e diz o que é ser mulher pela primeira vez nesse mundo moderno das feministas, o homem tem um novo paradigma para si avaliar, Simone diz que “somente a mediação de outrem pode constituir um sujeito como um outro”. E é com base no pensamento dela que Nolasco afirma que não são fatores biológicos, psíquicos ou econômicos que definem o que é ser homem ou mulher, mas sim as questões socioculturais. Não é a genitália que define o gênero, mas o comportamento, desnaturalizando nesse sentido essas concepções e colocando a questão da identidade sexual como uma construção do ser humano.

Para o autor “o percurso de socialização pelo qual passam os homens cria padrões de organização subjetiva que se relacionam com os papéis sociais. Assim, cada sujeito está autorizado a pensar, falar, sentir e expressar um conjunto de emoções que o identifique socialmente como homem. Há uma linguagem mais ou menos universalizante que dá ideia de consenso sobre o que é ser homem” (2001. p. 145). A ideia de masculinidade está ligada a um suporte de coletivização, onde para cada época é construído um determinado tipo de homem. Esses padrões foram elaborados no mundo antigo através dos heróis míticos como Hércules e Ulisses, que são referências positivas de homem para sua época, são heróis e modelos clássicos necessários dentro de um contexto de mundo que se convencional chamar de tradicional. Esse modelo tradicional estendeu-se até a idade média, mesmo com as inovações do modelo cristão católico. Entretanto, o mundo moderno trouxe novos problemas que teriam se iniciado com a formulação de pensamentos como o de Descartes: “Penso, logo existo”. Partindo deste pensamento, Descartes inaugura uma forma de pensar que arranca o homem do mundo medieval quando ele expõe o “eu”, de certa forma inaugurando a ideia de indivíduo dentro do cosmo coletivizante daquele mundo tradicional. Descartes também coloca em evidência a contradição do corpo e da alma existindo numa única forma humana, diferente do que era antes concebido, porque substância/espírito e matéria no modelo grego ou cristão existem numa inter-relação desses dois parâmetros. Esse individualismo, que era uno em corpo e matéria, se opunha a essa forma tradicional de ver o mundo.

Nesse mundo de contradição onde se permitia olhar para dentro e colocar o “eu” em evidência foram surgindo novos conceitos de heróis, mitos e modelos para a masculinidade, como o Dom Quixote, um herói falho que foge aos modelos pré-estabelecidos.

Foi com a modernidade, com a revolução industrial, com o desenvolvimento da burguesia e do pensamento iluminista e com as reformas sociais exigidas pelo pensamento marxista que se pode fugir desses modelos coletivizantes, pois “a modernidade é essencialmente uma ordem pós-tradicional, (…) da vida social fora do alcance de preceitos e práticas preestabelecidas” (2001. p. 129). Nesse mundo moderno, a ideia da identidade pode ser construída e legitimada pelo “eu penso” e pela autonomia do homem tão semelhante a Deus que também pode criar e ser iluminado. Mas nesse mundo de indivíduos independentes, livres pra pensar e agir, onde a sociedade é regulada pelo mercado, vai-se cada vez mais perdendo a relevância das histórias de vida particulares.

O que acontece a partir do início do século XX, exemplificado por Nolasco em Tarzan, que é um modelo mítico do homem dessa época, é que cada vez mais esse homem se afasta de sua vivência particular enquanto sujeito próprio de si e compra esses modelos heroicos, deixando de si imaginar e de si colocar sobre a sua própria experiencia, deixando de criar seu próprio modo de se sentir homem. Ou seja, cada vez mais o homem vai perdendo a reflexão de sua história particular de vida e de sua vivência.



Esse modelo de homem que pensa o indivíduo e de vida que diminui cada vez mais seu sentido de conviver numa coletividade é um atenuante para a violência, porque cada vez mais o homem perde um modelo positivo do herói a seguir, o homem marca cada vez mais sua presença de maneira invertida, violenta em suas atitudes propriamente masculinas, causando cada vez mais crimes passionais e banais. A violência surge como uma opção para substituir a falta de vigor, força e moral do modelo que o Tarzan representava e cada vez mais vamos aceitando modelos falhos para se seguir.



Hoje, o homem branco heterossexual é um modelo a não ser seguido. Os movimentos de minorias são as novas mitologias cotidianas. Paulatinamente, a busca pela valorização de nossas próprias identidades e de cada um falar por si, vai transformando o modelo do Tarzan em Homer Simpson, pois vamos percebendo que não somos perfeitos como aquele herói e nos identificamos muito mais com o personagem falho. Não que o Homer seja o novo modelo ideal a ser seguido, mas ele se tornou o exemplo do homem errado que é aceito socialmente, enquanto as mulheres são muito mais centradas e racionais. Basta comparar a Margie e a Lisa com o Homer e o Bart da série animada pra perceber que o modelo feminino nesses desenhos são o novo bom modelo a ser seguido, inclusive pelos próprios homens. É a força da minoria feminina retratada na cultura de massa e assimilada ao redor do mundo, onde quer que seja exibido desenhos como esse.



Quando o homem perde esse modelo positivo, o que acontece no século XX é uma ausência de um pódio onde o herói mítico e bom seja colocado e esse novo homem independente, de certa forma, só consegue se colocar como herói no mundo a partir de uma inversão de valores tradicionais, buscando o aplauso na falha mesmo que surgindo através de uma moral duvidosa, como, por exemplo, o homem que mata a mulher em nome de sua honra. Uma mítica avessa do herói por falta de vínculos pessoais.


No terceiro capítulo do livro, intitulado “A cultura: modernidade e subjetividade”, Nolasco fala que a identidade é construída a partir de uma demanda social e, citando Hegel, afirma que “a ordem da cultura se coloca contra a ordem da natureza” (2001. p. 154), nesse contexto o homem moderno opõem-se à própria natureza e a construção da identidade não é mais relegada a fatores biológicos. Nolasco é feliz quando apresenta problemas que a falta desse modelo ou do simples determinismo biológico podem acarretar. Ele diz, citando Giddens, que a busca de uma nova identidade é “uma forma patética de narcisismo”, que o discurso moderno fomenta “a aspiração de se ultrapassar os limites impostos pela vida, abolem a divisão masculino/feminino e tendem a um ideal andrógino” (2001. p. 135), e deixa a entender que isso pode ser um problema ou mesmo uma forma de violência contra o “eu” mesmo, “que sofre por não aceitar suas qualidades acidentais, como sexo e raça, com o objetivo de recriar um eu mais perfeito”(2001. p. 135).

É interessante ver que Nolasco preocupa-se em colocar que repensar esses modelos tradicionais dão liberdade para a valorização das identidades autônomas e das minorias, mas mais curioso é encontrar em seu texto que a modernidade “quebra o enquadramento protetor da pequena comunidade e da tradição” (2001. p. 133) e que, cada vez mais, a sociedade coletiva sente dificuldade para formar sua próxima geração. Essa sociedade moderna gera crises de identidade que precisam ser resolvidos cada vez mais com a ajuda de especialistas, profissionais impessoais criados ou recriados pela demanda desse novo mundo, que são os psicólogos, pediatras e educadores. Fica a impressão de que o autor enxerga que a sociedade e sua forma de pensar não parece estar simplesmente evoluindo em estágios progressivos, mas se alterando e se adaptando sempre aos novos tempos, resolvendo problemas e criando outros. Os homens e mulheres estão mais livres e autônomos? As minorias são os novos modelos contemporâneos a serem valorizados? Sim! Mas em compensação existe uma certa crise de identidade masculina que acabou banalizando a violência por causa da desconstrução do modelo tradicional.


1Aluno do Curso de Pós-Graduação em História Cultural, da Faculdade Piauiense - FAP. Resenha escrita para a disciplina Tópicos Especiais I – História e Gênero, ministrada pela professora Ângela Maria Macedo de Oliveira em setembro de 2012. Teresina-PI

quarta-feira, 6 de junho de 2012

10 anos de Mágico Vento no Brasil

Capa da edição nº 120

Foi Mágico Vento que me tornou de vez um leitor bonelliano. Eu já tinha lido Dylan Dog e Ken Parker, claro!, e são ótimos quadrinhos, acreditem em mim. Mas até então nunca tinha lido Tex, por exemplo. Agia com um certo preconceito com o ranger amarelo, essa é que é a verdade. As pessoas diziam, de forma pejorativa, que Tex era "revista de pedreiro". O fato é que Tex tinha uma linguagem muito diferente do que eu era acostumado a ler: quadrinhos de super heróis e de terror. Eu não conseguia ver essas duas coisas em Tex. Algo travava minha leitura contra esse totem dos quadrinhos italianos. Até surgir Mágico Vento.



Logo nas primeiras edições de Mágico Vento somos inseridos em tramas intensas, com ótimos e ágios desenhistas de ação, com monstros e criaturas vindo das profundezas do inferno. Vemos um xamã se tornar um tipo de Obi Wan Kenobi pra Ned Ellis, o protagonista, que muitas vezes desperta super poderes  se tornando uma fera invencível ou um espírito capaz de viajar pelos planos astrais, ao mesmo tempo que vemos desenrolar histórias envolvendo demônios ancestrais e grandes intrigas políticas, incluindo as tramas de Washington e as construções das grandes estradas de ferro além de sangrentas lutas entre brancos e indígenas. Cada edição, uma epopeia. E é por causa disso, que me acostumei com o velho oeste da Bonelli e hoje, sou um feliz leitor de Tex (pelo menos das edições Gigantes, que saem vez por outra).

Capa da edição nº 4, que me fisgou

E, claro, como eu disse no título, agora em junho, Mágico Vento chegará à edição nº 120. São 10 anos de excelente trabalho da editora Mythos, mantendo sempre a ordem cronológica das edições e o cuidado com as seções de cartas e os textos complementares de cada edição, agradando o sempre exigente leitor desses quadrinhos italianos.

Pra todos os leitores assíduos de mangás e comics, recomendo com muita força esses fumettis, para que vocês descubram todo um mundo novo, como foi pra mim.

Mitakuye Oyasin!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Daytripper


Daytripper: Não, não quero falar da música dos Beatles. Quero falar de um gibi criado pelos irmãos gêmeos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá. Na verdade, não terminei de ler o livro deles ainda e nem sei se tem alguma ligação do quadrinho com a música homônima dos besouros. Mas normalmente é a primeira coisa que vem a nossa cabeça se conhecemos um pouco dos rapazes de Liverpool quando pegamos esse livro em nossas mãos. Como sou muito mediano em inglês, usei o Translete Google e não vi ligação nenhuma, mas deve ter, com certeza. Entretanto, o que realmente importa é que se há ou não ligação, e se você percebe isso ou não, de nada interferirá no prazer da sua leitura.



Daytripper é um desses trabalhos onde percebemos que os artistas que nós gostamos realmente amadureceram, perderam os excessos artísticos e encontraram o caminho do sucesso criativo. Os irmãos Bá e Moon faziam fanzines, pequenas crônicas em quadrinhos, muitos num clima bem nostálgico, blazé, algo meio indie rock, sabe? Poesias e reflexões sobre a vida? Umas das histórias desses fanzines, que eles chamam de 10 Pãezinhos (aliás, um nome muito fofo, fala a verdade?) era sobre um grupo de amigos que se encontram no aniversário de um amigo morto para lembrá-lo. A alma do falecido aparece e todos saem pra si divertir, beber e escutar rock. Esse é o tipo de coisa que os irmãos fazem muito bem.

Eles entraram no mercado americano há um bom tempo e Bá já estava fazendo um sucesso danado nos Estados Unidos com a série Umbrella Academy (escrita por Gerard Way, vocalista da banda My Chemical Romance). Ele deveria estar muito ocupado então otimizou o tempo com o irmão de alguma forma que o Fábio tomou a dianteira nesse projeto, pelo menos nos desenhos (que são sensivelmente diferente dos do irmão, que tem um estilo muito parecido com os de Mike Mignola, autor de Hellboy) e produziram a série em 10 edições de Daytripper, publicadas originalmente pela DC Comics (de Batman e Superman) pelo selo Vertigo, e que a Panini lançou encadernada. Bá faz as capas e poucas páginas internas, mas os dois dividem toda a autoria do livro.

Enfim, do que trata? Cada uma das edições que já li é uma história fechada, com um tema específico. Numa visão ampla, temos: discussão sobre família, relação com os pais, amigos, amor, infância e trabalho. Brás de Oliva Domingos, o protagonista, é filho de um grande e premiado romancista nacional e sente o peso de querer continuar o ofício do pai. Como escritor, Brás consegue lançar um romance e se torna o autor das colunas diárias sobre os mortos nos jornais, algo de que ele parece não se orgulhar muito... Daytripper é sobre todos os “e se...” que podem acontecer em nossas vidas. E se eu tivesse decidido fazer aquela viagem louca pra Salvador? E se eu tivesse falado com aquela garota linda que olhou pra mim no supermercado? E se meu melhor amigo enlouquecesse? São essas coisas que levam a história de Brás pra frente, numa falta de cronologia e continuidade absurdas que transformam esse livro em algo único. Quando lemos, sentimos aquele impulso de: “Porra! Aproveita a vida!”. Cada instante pode ser o último e você não sabe, definitivamente, quando a morte poderá te levar. Inclusive, a morte é um tema recorrente da série e está presente em praticamente todos os capítulos.

Moon e Bá fazem parte do top da renovação dos quadrinistas nacionais, dos quais estão presentes também autores como Rafael Coutinho, Rafael Albuquerque e Rafael Grampá, que fazem sucesso no exterior e que também já tem obras publicadas no Brasil. Pode procurar! Garanto!

domingo, 17 de julho de 2011

DYLAN DOG



Recentemente assisti ao filme Dylan Dog... Quando vi o trailler, imaginei: “uma mistura de Buffy com Constantine”. É uma pena que minhas suspeitas tenham se confirmado tão tragicamente. O que eu não tinha previsto seria que a película não teria sequer o carisma desses dois outros, muito menos a qualidade...



Dylan Dog foi o primeiro quadrinho italiano que li e gostei. Lembro-me do dia em que fomos ao supermercado e, na banca da frente, encontrei o primeiro exemplar que folheei desse personagem completamente desconhecido pra mim. Na verdade, ainda guardo o título comigo e acho uma das melhores edições que li do “investigador do pesadelo”: O Fantasma de Anna Never. É a edição nº4 de 1991, da editora Record. Eu fiquei louco pelo personagem. Nunca tinha lido quadrinho de terror com uma qualidade tão boa. Os desenhos eram de um cara chamado "Roi" (mais tarde decobriria que Corrado Roi seria o autor de outras das melhores bandas desenhadas do personagem). Estamos falando simplesmente da melhor combinação de terror, humor, suspense e mulheres bonitas com roteiros e desenhos de qualidade.


(Partida com a Morte, edição 4 da editora Mythos, desenhada por Corrado Roi)

Na época, eu não tinha outro quadrinho para suprir essas características que eu gostava. Se quisesse algo parecido, tinha que ser na TV, com Arquivo X. Garimpei o máximo que pude nos sebos e encontrei outras edições da Record, que guardei com muito carinho. Mais tarde, a editora Conrad lança 6 edições do personagem, todas com capas do Mike Mignola, quadrinhista fã confesso do personagem. Recomendo que os marinheiros de primeira viagem leiam essas edições da Conrad, parecem selecionadas a dedo.


(Ilustração feita por Stano)

Logo depois veio a Mythos, casa dos personagens bonellianos, mas infelizmente o título só teve 40 números. Entre eles, recomendo as edições nº 01 (A história de Dylan Dog, brilhantemente desenhada por um cara chamado Stano, que também fez várias outras edições do personagem, inclusive a primeira, chamada “O Despertar dos Mortos”), 04 (Partida com a Morte), 05 (O longo Adeus), 09 (Nas Profundezas), 35 (História de Ninguém) e 40 (O Mistério no Tâmisa).



Mas voltando ao filme... Quando você se prepara para uma adaptação do Dylan Dog, você espera uma mistura de terror tipo “A Morte do Demônio”, com um humor pastelão típico da década de 50 (vide Groucho Marx: “O camaleão só fica da cor do camaleão quando pára na frente de outro camaleão”), você espera morte, muito sangue e zumbis a la George Romero. Você espera o herói matando esses monstros sem pestanejar e não ficar de bate papo com eles, sendo o amiguinho “Investigador do pesadelo” que todo monstro conhece. Você espera o clichê das mulheres extremamente sensuais caindo nas cantadas do detetive canastrão, você espera o Dylan esquecer o revolver e , na hora “h”, Grouxo Marx atirando-o para o parceiro no clímax. Nem vou citar aqui que o mínimo que você espera é ver o Groucho... Você espera cenas completamente sem sentido, como rodas gigantes voando no espaço, uma adaga sair voando de dentro de um VHS ou um ônibus cruzando a lua... DEUS! Você espera ver uma Londres sinistra, cheia de nevoeiro! Você espera um herói atônito exclamando: “Judas dançarino!”... Infelizmente não é isso que vemos no cinema de Dylan Dog... Um filme que falha como adaptação, como cinema de terror, de comédia ou de detetive, com seus recordatórios e narrativas desnecessários... Mas tem um vilão final digno de Power Rangers!

Fiquem longe!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Meia Noite em Paris



Normalmente eu não faço resenhas sobre filmes. Não é minha praia. Mas eu posso escrever sobre o que gosto e os filmes do Woody Allen sempre me agradam. Não sou nenhum fã incondicional que disseca da filmografia do cara. Assim, de cabeça, lembro que assisti Poderosa Afrodite (1995), Os Trapaceiros (2000), Match Point (2005), Celebridades (1998), Scoop (2006) e agora o Meia Noite em Paris, que vi ontem. Como podem ver, são todos obras recentes. Tenho algumas coisas antigas dele agendadas para ver, como O Dorminhoco (1973) e Tudo o que Você Sempre Quis Saber sobre Sexo mas Tinha Medo de Perguntar (1972)... Mas vão ficar pra depois.

O que posso dizer desses filmes que já vi é que Woody Allen parece melhorar sempre. É impressionante! Entre esses filmes que vi, com exceção de Match Point, que é quase um thriller, diferente dos outros: comédias, ele parece bater sempre na mesma tecla, mas com um estilo particular a cada vez. É gostoso de ver! A verdade é que suas comédias românticas, sempre protagonizadas por ele, mesmo quando não está atuando (vide Kenneth Branagh em Celebridades, ou mesmo o Owen Wilson nesse Meia Noite em Paris), são aqueles filmes que você fica com aquele sorriso de bobo quando os créditos sobem e as luzes acendem. Woody tem o poder de nos transformar em expectadores e só! Nada mais importa! Poderíamos continuar assistindo aquilo até o fim das nossas vidas. E o que mais me impressiona nele é que é completamente despretensioso.



Meia Noite em Paris é um filme que se passa nos dias de hoje sobre um cara que é apaixonado por um passado que não viveu, como se tivesse a sensação de que nasceu na época errada. Ele é encantado pelos anos 20 de Paris, com os grandes artistas que viveram ali naquela época, naquela áurea, como Picasso, T. S. Eliot, Scott Fitzgerald, Dalí e tantos outros que aparecem no filme. É imperdível ver Hemingway desafiando as pessoas para uma boa luta de boxe!



Um filme sobre se encontrar no tempo em que se vive.

É o seguinte: Meia Noite em Paris está em cartaz e, se você nunca assistiu a um Woody Allen, não perca tempo. Ele é um velhinho atrapalhado como vimos em seus filmes e nunca saberemos quando ele poderá bater as botas... Desfrute-o como se fosse a última vez que pudesse fazer isso. Aproveite!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Vikings e o Local de Brian Wood



Há mais de um ano é publicado na revista mensal Vertigo o título Vikings (Northlanders, no original), de Brian Wood. Eu já conhecia o autor de outra obra chamada Local, editado em dois volumes pela Devir há alguns anos. Lembro que gostei de Local. Tratava-se de uma reunião de contos urbanos, onde uma garota decidida a cair na estrada passava por aventuras cotidianas pelas cidades que atravessava. Cada cidade tinha um clima diferente, uma personalidade e, em algumas vezes, a garota era apenas um coadjuvante. Local tem seus altos e baixos, mas eu recomendo...



Em Vikings, Brian Wood muda o cenário completamente, mas mantém a fórmula de centralizar o enredo em torno da importância do lugar onde se passa a história. Vikings também funciona como contos, a diferença entre esse e Local é que os contos em Vikings se estendem por várias edições, em arcos fechados e independentes entre si... O problema é que, às vezes, os contos não funcionam e se alongam além do necessário. Ou então a história é fechada em uma única edição, como aconteceu em Vertigo nº 17, mas se desenvolve de maneira irritante, com um monte de caixas de textos descompassados com uma cena de luta entre duas pessoas que durou, desnecessariamente, todas as 22 páginas da edição. Novamente, Brian Wood se mostra um bom autor, mas com seus momentos...



Brian também é autor de ZDM (lançado pela Panini em edições luxuosas), mas ainda não li. Sei que o plot da obra gira em torno da ilha de Manhanttan que se torna uma zona militarizada. Me parece mais uma prova de que Brian dá mais importância para o cenário em suas histórias do que para os personagens. Isso é uma característica diferencial.

Recentemente descobri que Vikings será cancelada nos Estados Unidos, na edição 50, para desespero de alguns fãs. Vários são os motivos para o cancelamento de uma revista e, nesse caso, acredito que a qualidade dela não foi levada em consideração. Muitas boas revistas tem baixas vendas e algumas porcarias vendem muito bem, obrigado! Acho que o cancelamento se deve, principalmente, por causa da reformulação que a DC, sua editora original, está sofrendo, passando o rodo geral e cortando vários títulos, mais de 20. O que quero dizer é que há quem goste e que a obra será fechada em 50 edições e, espero que a editora Panini repense o título, tirando-a da revista Vertigo e lançando-a em encadernados para quem realmente fará proveito disso, como fez com alguns arcos de Hellblazer.

Ponto fraco: Brian Wood escreve em 6 edições o que poderia ter feito em 1 ou 2.

Nota 7.5