quinta-feira, 14 de abril de 2016

Dissertação Políticas Públicas Culturais e Salão de Humor no Piauí





Depois de um ano, estou disponibilizando meu trabalho de mestrado. Espero que gostem e que seja útil.

No link você pode ler on line ou baixar o arquivo (no ícone no canto direito da tela). Clique aqui.

Abaixo segue o resumo

RESUMO: 
Este trabalho compreende a elaboração das políticas públicas culturais no Piauí, jogando luz no processo de criação da máquina estatal do setor bem como de políticas voltadas para gerir a cultura nesse estado. Tomamos como exemplo, a relação do Governo do Estado do Piauí com a Fundação Nacional do Humor, entidade privada e de interesse público, que realiza o Salão de Humor do Piauí, evento que existe desde 1982, totalizando trinta edições em 2013. Sob a perspectiva das políticas estaduais de valorização e construção de identidades locais, o Salão de Humor do Piauí é tomado como objeto e é colocado como um problema na relação pública-privada e na realização de uma política concreta e eficaz na gestão pública cultural no Estado do Piauí. Ao longo do texto, comparações entre o Salão e Humor e outros eventos, como o Salão de Humor de Piracicaba, o Salão Medplan de Humor e o Salão do Livro do Piauí, são elaboradas, buscando uma compreensão mais ampla da relação do Estado com eventos significativos como esses, assim como paralelos com outras instituições, como a Academia Piauiense de Letras e Conselho Estadual de Cultura. A criação e manutenção da máquina estatal, tanto as secretarias e fundações culturais, quanto as casas de cultura e associações, são abordadas sob o prisma das prioridades das políticas públicas do Estado, assim como o estudo dos recursos destinados ao investimento na área da cultura em comparação à receita total do Estado, o que evidencia uma perspectiva administrativa e econômica da gestão pública cultural. Procurou-se obter um diálogo com a história das políticas públicas no Brasil e no Piauí, utilizando autores que trabalham esse tema, como Ana Regina Rêgo, Lia Calabre e Isaura Botelho, ao tempo que foram essenciais as leituras de textos de teóricos da cultura, como Stuart Hall, Terry Eagleton e Homi K. Bhabha. Na metodologia, lançou-se mão sobre a pesquisa bibliográfica e hemerográficas, assim como houve a necessidade de utilizar das oralidades a partir da elaboração de entrevistas.

Palavras-chave: Cultura. Políticas culturais. Salão de Humor do Piauí.


sexta-feira, 8 de abril de 2016

Demolidor segunda temporada é melhor que a primeira!


Terminei de ver a segunda temporada de Demolidor só hoje. E é muito bom! Posso até arriscar dizer que é melhor que a primeira temporada. Entretanto, é de opiniões diversas que vive a internet...

Mais de uma pessoa me disse que esta temporada não tem vilão ou um bom vilão! E para essas pessoas isso seria um problema. Acontece que não é bem assim. A temporada tem sim um vilão, que é o Nobu. Ele é melhor que o Wilson Fisk? Não! Mas ele é importante para esta temporada tanto quanto Wilson foi para a primeira? Não! Isso porque o mais importante para esta temporada não é ter um vilão nítido e óbvio para Murdock socar! Esta temporada não é preto no branco. Não é tão fácil assim...

A grande sacada desta temporada é justamente a ausência do vilão e a presença de antagonistas. E esses episódios estão cheios deles. Na primeira metade da série vemos Demolidor e Justiceiro lutarem e discutirem o que é ser herói e foi qualquer coisa linda de se assistir, a ponto do Matt considerar os meios de Frank Castle como uma alternativa válida, mas essa não é uma opção fácil, e vemos o próprio Justiceiro dizer que isso não teria volta. De certa forma, Justiceiro salva o Demolidor, impedindo-o de seguir pelo caminho da morte.

Em seguida, temos os problemas pessoais envolvendo o Matt, a Karen e o Foggy durante todos os episódios. E são questões que divide o grupo, que os separa, que os antagoniza. Trata-se de algo que o Demolidor não pode resolver dando socos. Não é tão fácil assim...

Temos ainda a Elektra. Ah! Elektra... Faltou apenas um texto escrito por Frank Miller descrevendo o perfume da sua pele. Talvez ela não seja a mulher extremamente sexy que esperávamos, mas ele é boa a ponto de acreditarmos que Matt poderia deixar a linda Karen para trás, mas, como vocês já sabem, não poderia ser tão fácil assim...

E temos Stick e todo o problema da Mão que foi pincelada ainda na primeira temporada.

E ainda vemos o Fisk de novo, e ele se torna de verdade o Rei do Crime. E ele espanca o advogado Matt Murdock dentro da delegacia na melhor cena do personagem que podemos ver nas duas temporadas. Isso nem é discutível. Todo mundo sabe que é verdade. O rei se agigantou.

Só depois de tudo isso é que vem Nobu e sua “não tão grande” importância. A verdade é que ele está em quarto ou quinto plano para a temporada. Nem por isso ele deixou de protagonizar as melhores cenas de luta na temporada (é claro que temos novas cenas de corredor, fazendo referência à primeira temporada, com o Demolidor e outra com o Justiceiro na cadeia. Elas são grandes cenas, mas Nobu é um artista marcial de verdade).


Outros reclamam que a série dá muito destaque para o Justiceiro e o Matt é quase coadjuvante... Ou reclamam que a série tem dois núcleos: “justiceiro” e “a mão”. Isso só prova que a Marvel e a Netflix sabem fazer uma série. A vida não é tão fácil assim, é quase uma novela. Ela possui núcleos e personagens que se destacam. Justiceiro aparece muito? É porque ele é bom! Mas ele não é o protagonista. Ele é o antagonista. E que grande antagonista! 

Por fim, a série tem todo o primeiro arco envolvendo a caça ao Justiceiro e ao seu julgamento. Temos um entre-atos onde nos é reapresentado o Fisk e, só então, o segundo ato com Nobu e seus ninjas. Com um final que ninguém pode reclamar, só se quisessem um Mercenário aparecendo, mas aí iam ficar reclamando: "Ain, mas tem muito personagem... O Demolidor quase não aparece..."

quinta-feira, 31 de março de 2016

ASSISTI BvS: e o filme é bom!


(cheio de spoiler)

Verdade seja dita: BvS é muito melhor do que as críticas negativas dizem.

O filme tem problemas, sim! Mas vou tentar focar nos pontos positivos.

Ele precisa continuar de onde Man of Steel (MoS) terminou, mas corrige detalhes que me incomodou bastante naquele filme: a falta de kriptonyta e a fraqueza do Superman diante da mudança de gravidade (!). Simplesmente ignoraram isso da gravidade! Menos mal!

O filme é bonito de ver e é cheio de simbolismos, e é preciso procurar assistir ao filme através de atos simbólicos. Por exemplo: um amigo reclamou que o Super chegou falando: “Bruce, me escute! Não vamos lutar!”. Quer dizer, eles simplesmente poderiam ter conversado e a luta do título nunca ter acontecido, entretanto, o filme fala o tempo todo sobre a necessidade do “deus” conversar com os humanos, que é assim que a democracia se faz, e quando, finalmente, o Super chega pra conversar com o Batman ele não consegue, porque os homens não ouvem “deus”. Existem simbolismos menos discretos, como a cena do Super salvando uma família em cima de um telhado, ou a descida de “deus” junto aos “mortais” no dia dos mortos mexicano. O filme é repleto disso. Em dias quando MadMax é elogiado pela crítica que ressalta o não dito, BvS merecia melhor recepção.

Alguém me disse que o filme era uma boa adaptação antes de eu ver ao filme. Eu desdenhei porque, como poderia ser, se sabia que tratava-se de uma colcha de retalho de Cavaleiro das Trevas, Injustiça e Morte do Superman? Evidentemente, existem problemas cronológicos se pensarmos em uma adaptação fiel para essas três obras em um único filme, mas o fato é que existem cenas e falas recortadas e coladas do quadrinho para o filme além de outras fidelidades, como o próprio Apocalipse, que não é o personagem que esperávamos, mas em essência ele está lá: um ser que não morre e que evolui a cada adversidade que enfrenta e que fez o que estava destinado a fazer quando aparecesse em um filme: matar o Super!

Sobre a morte do Super, ela corrigiu um problema latente do personagem: a negação do mito. O filme fala sobre o medo do diferente e muitos tinham medo do Super, ele não tinha o carisma necessário para a gradar a população. Mas a sua morte lhe traz a redenção e a recompensa: torna-se experiente e o ícone que merece ser. Em termos de cinema, essa é sua linguagem mais pura, a própria jornada do herói.

Lex é um grande vilão com uma motivação muito válida (editado: alguém me questionou depois: que motivação é essa? É aquilo que, no fundo, esperamos do Lex: provar que a humanidade não precisa de um "deus" andando entre nós). Em alguns momentos, parece muito exagerado, mas o ator segura a onda e mostra a que veio: Superman ajoelha-se diante dele e nem precisa de kriptonyta para isso.

Você não pode dizer que falta coração ao filme, Kevin Smith, desculpe! (editado: e ele se corrigiu no dia seguinte ao que publiquei este texto, retificando sua opinião) O Batman do Afleck é tão atordoado, mesmo 20 anos após iniciar sua jornada como herói, que abandonou a mansão dos Wayne. Ver aquela mansão abandonada e um Bruce mulherengo e bebendo álcool é realmente assustar-se diante de um herói mais soturno e em fim de carreira, que sofre num mundo onde ninguém permanece bom: talvez por isso ele mate tanto no filme, mas não vou defender isso, porque é algo que não gostei no filme. E as mortes não foi apenas no “sonho” ou na “batnave”, o próprio Batcarro saiu matando todo mundo com tiro de canhão numa cena completamente desnecessária (afinal, ele havia atirado um detector no caminhão onde estava a Kriptonyta que ele queria roubar, o que ele fez depois, sem matar ninguém, tão facilmente que nem é mostrado no filme).

O Super até sorri uma vez, salvando a Lois, na África. Quando isso aconteceu, bem no começo do filme, parece até que o uniforme ficou mais azul e uma áurea surgiu ao redor dele (ok! Isso foi bem gay!), mas é uma prova de que no filme da Liga tudo vai ser mais feliz, porque os problemas com o personagem passaram com sua morte e ele poderá sorrir mais, junto com os superamigos.

Outro amigo falou que o mundo real em sépia do Nolan/Snyder quer ser tão crível que não nos permite acreditar no sonho do mundo colorido que o Super deveria representar. Acredito que este filme fale justamente disto. É sobre isso que Super e Lois conversam naquela janela, sobre esse sentimento de que ele não deveria existir e o filme nos faz querer acreditar neste herói, utilizando o lado mais passional de cada um de nós: amar aquele que se sacrifica por nós e amar aquele estranho que não é tão estranho assim quando descobrimos que ele tem e ama uma mãe, como todos nós.

Unanimidades: a trilha sonora é incrível (Não nos abandone Hans Zimmer!) e a Gal Gadot calou a boca de todo mundo.

O filme merece uma nota 7 com facilidade porque possui mais acertos que erros. Acho que Zack Snyder merece continuar no time (editado: afinal, se Nolan cometeu o Batman 3, Snyder deveria concluir seu Super no próximo filme).

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Depois de escrever este texto, alguém me marcou neste vídeo. Assistam:


Link legendado no facebook aqui

domingo, 13 de setembro de 2015

VOLTA, MUTARELLI, VOLTA! OU NÃO...


Mais uma prova de que quadrinhos não são literatura é a matéria do site uol sobre Lourenço Mutarelli. Este, um autor que conheci em meados da década de 90 com a “trilogia em quatro partes” de Diomedes, um detetive muito escroto. Aquilo brilhou pra mim. Até hoje considero uma das melhoras obras que já li e a melhor hq nacional que conheço. Uma obra volumosa, densa, cheia de propostas estéticas. Propostas que poderiam incomodar os incautos, mas que agradaria aos curiosos.



Naqueles anos eu fazia uma feira de quadrinhos aqui no Piauí e resolvi que Mutarelli deveria ser um dos nossos convidados. Eu o procurei, achei um e-mail, entrei em contato, mas sua esposa respondeu e disse que ele não poderia ir. “Coisa de artista”, pensei. Hoje, parece-me que ele já não costumava ir a esses eventos, como não foi ao último Troféu HQ Mix, receber a homenagem que lhe fizeram. Um quadrinista que não faz mais quadrinhos e que dedica-se a outras áreas da arte. “A Lucimar Mutarelli irá me representar. Obrigado", escreveu ele à organização do HQ Mix, segundo a matéria do site Uol com o artista. Posso imaginar como se sentiram o pessoal do prêmio.



Enfim, Mutarelli desistiu dos quadrinhos. Ele disse que "o meio dos quadrinhos sempre me incomodou bastante. Os próprios quadrinistas mesmo. É um meio muito bitolado”. O autor fez teatro, namorou com o cinema, em filmes como a adaptação de O Cheiro do Ralo, mas antes disso havia se rendido à literatura.  Ele disse que “essa mudança veio não só pela literatura, mas também pelo meio literário, que me aceitou muito bem. Isso é uma coisa que me ganha. Aceitação verdadeira, não bajulação. No meio literário eu fui muito bem acolhido, isso foi uma coisa que foi muito importante para mim”. Fica evidente que o autor não foi bem aceito pelo meio dos quadrinhos. O que é uma pena. Perdemos uma referência que estava, talvez, no auge de sua criatividade. Foi rumar por outras linguagens porque fazer quadrinhos no Brasil é um tormento, o próprio autor disse que “no quadrinho, você precisa trabalhar no mínimo dez horas por dia desenhando. Escrevendo [romances], eu trabalho menos horas por dia, trabalho com muito mais prazer. E vivo também. Antes, eu não vivia, só trabalhava”. Essa é uma condição de crise para o mercado de quadrinhos no Brasil. Existe um grande esforço desse tipo de autor, o desenhista, que passa horas, às vezes dias, produzindo uma única página.



Mutarelli é um artista reconhecido e reclama-se abertamente da falta de recursos, “eu preciso é de dinheiro. Sou um cara totalmente falido”. Já li alguns textos sobre o mercado de quadrinhos no Brasil e é lugar comum encontrar referências de quadrinistas que tiveram de percorrer caminhos no design ou publicidade para puderem sobreviver.

Dessa história, fico com algumas reflexões: por que os quadrinhos no Brasil são um meio tão indigesto com seus artistas? Por que nossa arte sequencial teve de perder esse talento tão significativo para outros meios artísticos? Serão os quadrinhos um meio realmente tão “bitolado” a ponto de renegar a sobrevivência de um autor referência em seu próprio seio?

Mutarelli, cara, fica de boas!

Não quero aqui fazer um tratado sobre o mercado de quadrinhos no Brasil, apenas me indigno em saber que nos EUA, autores da literatura e de outras áreas, como Stephen King, George RR Martin e Orson Scott Card, migram e fazem sucesso com os quadrinhos,mas aqui no Brasil ainda vivemos em um meio onde si diminui os quadrinhos a um gênero qualquer de “subliteratura”, onde autores, para serem levados a sério, precisam escrever romances porque gibis não levam ninguém a lugar nenhum.

Revista Feira HQ no Catarse

Conheça um pouco mais sobre o projeto da Revista Feira HQ no Catarse

terça-feira, 8 de setembro de 2015

O descaso da Lei A Tito Filho


Há muito tempo hesitei em escrever sobre isso. Não escrevi. Quis dar tempo ao tempo. Enquanto uma porrada de conhecidos diziam: “Esquece isso! É dinheiro perdido”, eu continuava acreditando que uma hora daria certo, que o bom senso venceria e que a migalha prometida para projetos culturais seria entregue aos proponentes selecionados.

Mas vamos do princípio: tenho dois projetos aprovados na Lei A Tito Filho, um de 2009, intitulado “Quadrinhos Pós-68”, de R$17.107,00 e outro de 2012, chamado “Reanimando Arnaldo Albuquerque”, de R$ 22.573,00. São quase R$40mil. Parece muito? Não é! No edital de 2012 foram prometidos R$1milhão de reais, divididos para 35 projetos.

A informação que eu tenho é de que nenhum desses 35 projetos foram pagos, que, sequer, foram feitos os contratos entre os proponentes e a Fundação Monsenhor Chaves (FMC). Não estou afirmando isso de forma alheia. Lembro que fui, no começo de 2013, até à FMC perguntar sobre o porquê de eu ainda não ter sido chamado para assinar um contrato com eles sobre um dos projetos aprovados em 2012. A resposta que tive de alguém do setor jurídico foi: “porque ainda estamos devendo editais anteriores e não vamos fazer isso”. Ou seja, a FMC já estava devendo vários pagamentos de editais anteriores e não pretendia comprometer-se em mais R$1milhão com novos projetos. A questão é que o edital foi lançado em 2012 e 35 novos proponentes foram contemplados. É muita hipocrisia lançar um edital e depois dizer que “não podemos assinar com vocês o que prometemos”. Estavam lhes resguardando esse direito de não se auto incriminarem legalmente, afinal, sem um contrato assinado, pouco podemos fazer.

Mas a lista dos projetos aprovados em 2012 continua disponível no site oficinal da FMC. Aqui está o link.



Entretanto, ter um contrato assinado com a FMC não parece significar muita coisa, já que aquele órgão encarrega-se de perdê-los ou ignorá-los. Sim! A FMC perdeu meu contrato de 2009, perdeu o processo duas vezes, inclusive a prestação de contas que tinha feito da primeira parcela, recebida com quase 3 anos de atraso. Menos mal! Recebi uma parcela, prestei contas, mas não tenho mais expectativas em receber a 2ª e 3ª parcela, indispensável para a concretização do projeto (vale ressaltar que dividir os projetos em 3 parcelas já é ridículo por si só! Com o dinheiro previsto para minha 2ª parcela eu não poderia fazer nada, a não ser esperar o dinheiro da 3ª parcela para puder pagar o custo de impressão do meu livro, objeto do projeto).

Há algumas semanas fui ao escritório do presidente da FMC, o sr. Lázaro do Piauí, falar sobre isso. O projeto “Reanimando Arnaldo Albuquerque” está acontecendo por conta do esforço de pessoas como Neila Rocha e Maiça Chaves, ambas do Projeto de Ilustração e Animação – PIA – UFPI.  Elas estão arcando com todos os custos porque possuem todo o interesse pela arte do Piauí, cuidado esse que a FMC e a própria Prefeitura de Teresina não demonstram. Fui até lá explicar ao Lázaro que o produto do projeto Reanimando Arnaldo iria sair, inevitavelmente, mas que seria muito bom se a FMC fizesse valer o edital de 2012 e disponibilizasse os recursos previstos para que houvesse uma parceria entre todos nós que financiasse esse projeto e pudesse pagar toda a mão de obra envolvida. Acontece que o sr. Lázaro não é o responsável por desses editais, mas representa a instituição que os acometeu. Então, ainda espero que algo possa acontecer. Perdoem minha inocência.

Estive receoso de falar sobre isso desde o começo do ano porque em janeiro passado faleceu o Arnaldo Albuquerque, primeiro quadrinista a publicar no Piauí, e meus dois projetos aprovados na Lei A Tito Filho envolviam a arte dele.  Não quis parecer um oportunista utilizando a morte de Arnaldo como bandeira, mas quando penso que se os editais da FMC fossem levados a sério pelos gestores públicos, eu poderia ter homenageado este homem com dois produtos culturais sobre sua arte ainda em vida, e a indignação me sobressalta.

Por toda a arte que deixou de ser exposta ou produzida através da Lei A Tito Filho, por esses míseros R$1milhão de reais que parecem tão impossíveis para a cultura do município de Teresina, que desde 2012 parece ficar cada vez mais longe, espero que todos sintam vergonha. Todos! Inclusive eu.


Se você é um autor de projeto que esteja em situação parecida com a minha, proponho criarmos uma carta aberta e procurarmos algum tipo de processo coletivo, seja através do Ministério Público, seja por algum caminho que alguém conheça melhor que eu. Coloque nos comentários abaixo, seu nome, o nome e o ano do projeto que a Lei A Tito Filho está em débito com você.