A resenha abaixo foi publicada no endereço http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/ . O autor, Paulo Ramos, tem um grande currículo: é jornalista, professor universitário e consultor de língua portuguesa da Folha de S.Paulo e do UOL. É também doutor em língua portuguesa pela USP (Universidade de São Paulo), integra o Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP e é co-autor do livro "Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula" (Editora Contexto) além do autor do livro "A leitura dos Quadrinhos".
Leiam a resenha abaixo:
Livro resgata episódio histórico pouco lembrado
A leitura de "Foices & Facões - A Batalha do Jenipapo" (200 págs., R$ 30) revela uma série de surpresas. A primeira é a própria obra em si, lançada neste meio de mês.
É uma produção nacional, que ajuda a reforçar a máxima de que há muito mais quadrinhos fora do eixo Rio-São Paulo, principais polos de concentração editorial do país.
Produzida no Piauí, recupera um episódio histórico vivido no estado em 1823: a Batalha do Jenipapo, que dá título ao trabalho.
Pouco lembrado, o conflito ajudou a consolidar a Independência do Brasil, proclamada um ano antes por Dom Pedro no Ipiranga, em São Paulo.
***
A Batalha do Jenipapo envolveu piauienses, maranhenses e cearenses. Moradores dos três estados improvisaram instrumentos de luta para barrar o avanço de tropas portuguesas.
O exército era comandado por João José da Cunha Fidié. O objetivo era forçar os brasileiros da região a manterem, à força, o apoio à Coroa e a Dom João.
O sangrento conflito e os motivos que levaram a ele são relembrados em detalhes na narrativa em quadrinhos. O assunto é esmiuçado com calma, o que dá profundidade à obra.
O livro - outra surpresa - consegue, com isso, diferenciar-se de outras produções do gênero, que se preocupam mais com o aspecto didático para vendas a listas governamentais.
***
A história em quadrinhos foi produzida com verba do governo estadual e demorou quase um ano e meio para ficar pronta.
Os autores do projeto e da obra são dois irmãos: Bernardo Aurélio e Caio Oliveira. Este fez a arte; aquele, o roteiro. Ambos integram um núcleo de quadrinhos mantido no estado.
O aprofundamento no assunto, perceptível durante a leitura, possivelmente teve ajuda do lado historiador de Bernardo, formado na área pela Universidade Estadual do Piauí.
Mesmo assim, ele optou por mesclar os fatos com alguns aspectos ficcionais. Parte da narrativa se passa numa fazenda e mostra como se dá a luta entre seus moradores.
***
Numa época editorial em que editoras publicam adaptações literárias e obras históricas como pretexto para gordas vendas ao governo, "Foices & Facões" se diferencia.
A obra mostra que é possível fazer obras assim com qualidade e com o aprofundamento necessário. É um caminho que poderia servir de espelho para futuras produções do gênero.
O conteúdo é acessível, mas não simplificado a tal ponto que transforme a narrativa num retalho fragmentado e vago do episódio histórico e de seus motivos.
E ajuda a relembrar o episódio a brasileiros e, em particular, os do Piauí, que tem na data um dos alicerces históricos do estado.
***
A obra é vendida em algumas lojas de quadrinhos de São Paulo e do Piauí. Outra forma de comprar é pelos e-mails: bernardohq@hotmail.com / nucleodequadrinhos.pi@gmail.com
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Foices e Facões - Entrevista
Essa entrevista foi feita comigo durante a 10ª Feira HQ pela amiga e jornalista Layani Prado e também está em seu blog (http://notas-de-rodape.blogspot.com/search/label/Quadrinhos). Dêem uma lida!
O que o levou a escolher o tema da Batalha do Jenipapo e porque retratá-la em Quadrinhos?
O que me levou foi que eu trabalhei na Fundação Cultural do Estado há quase três anos e lá na fundação eu tive acesso a vários ensaios e apresentações da peça de teatro de Aci Campelo que é executada sobre a Batalha. Então, eu vi essas apresentações, vi os personagens dialogando e interagindo e vi uma boa história, eu achava que tinha todo um apelo que uma boa história de quadrinho precisa ter, era uma boa história pra ser contada. Também sou formado em História pela UESPI e tive contato com alguns textos sobre a Batalha ainda no meu meio de formação e gostei muito dos textos do Monsenhor Chaves. Achei a literatura dele muito boa, a forma como ele relatava era bem interessante. E a Batalha é um tema recorrente aos piauienses, é um tema que enaltece a gente, é um tema que muitos artistas procuram trabalhar e eu já tinha escutado o próprio Amaral falando de trabalhos em artes gráficas da batalha, então achei que daria pra fazer um bom trabalho. Em quadrinho porque é minha área, onde eu trabalho e resolvi trabalhar com quadrinho porque é o que eu faço de melhor.
Como foi fazer a revista? Você se encarregou de todo o processo?
Eu fiz um projeto e eu trabalhava na Fundação Cultural ainda, se eu não me engano em abril de 2008 e eu apresentei o projeto direto pro governador e pra Sonia Terra e de imediato eles aprovaram a revista. O processo foi muito simples, foi basicamente eu e meu irmão que fizemos a revista. Eu fiz o roteiro meu irmão fez todos os layouts das páginas, eu fiz toda a arte final e editoração. Basicamente um trabalho a dois, mas no final da revista eu convidei várias pessoas conhecidas, desenhistas chargistas que participaram, então tem mais 15 convidados que produziram a ilustração e preenchem a revista. Além de meu primo Pedro Victor e o Antônio Victor que são os desenhistas que fizeram a capa, foi muito importante a capa deles, fiquei muito satisfeito com a capa que eles fizeram.
O fato de ser historiador te ajudou a fazer o roteiro da revista?
Muito. O que eu mais gostei no meu curso de História foi da não ilusão de uma história total ou da busca da verdade. Então eu tive essa consciência de que eu ia contar uma história oficial, uma historia pro governo, de que é uma historia vendida pro governo, mas eu tinha consciência de que eu queria algo autoral também. Autoral e verdadeiro, por isso eu criei um núcleo fictício pra historia, eu tentei humanizar os personagens. Inclusive o próprio Fidié que é pintado como um grande vilão pela historiografia oficial. Na verdade eu não culpo a historiografia, mas eu culpo o senso comum que as pessoas têm do Fidié. Até vulgarmente falando, chamam ele de “fidiégua” e pelo contrario, achei um personagem excelente, o personagem que eu mais gostei de trabalhar na história. Acho que porque eu tinha essa intenção de mostrá-lo como um bom soldado.
No processo criativo foi seu irmão quem fez as ilustrações, mas você deu opinião e disse como deveria ser tal personagem, alguma coisa do tipo?
Foi um processo de criação interessante porque a gente praticamente não fez layout dos personagens, a gente não criou a priori os personagens, não concebemos assim. Foi desenhando, fazendo e mostrando. Na hora que o personagem aparecia agente discutia rapidamente como seria e normalmente eu fazia uma referência. Muitas pessoas não sabem, mas a cara de nordestino do Teobaldo é inspirado num personagem que não tem nada a ver com os nordestinos que é um personagem Lance Henriksen que é o ator de Millenium, uma serie norte americana, então quando eu vi o lance eu disse pô o Teobaldo tem a cara do Lance que é uma cara fechada, uma cara com rugas, riscada seria. Então, eu fiz algumas referencias assim. O personagem Português, que é o personagem que faz o par romântico, o Thiago diz que ele é parecido com o Felipe Dylon. Algumas referencias haviam, mas a gente não tinha imagem nem nada parecido pra nos basear. É muito difícil, não existem recursos visuais desse período no Piauí, é praticamente inexistente. Fotografia se existisse no Brasil, não tinha chegado ainda aqui no Piauí. Então, as referencias foram assim. Em alguns momentos o roteiro foi sendo adaptado para a necessidade do Thiago de quadrinizar. O Thiago não fez somente desenhar o roteiro, ele adaptou o meu texto, o meu texto não era o roteiro técnico, e nessa adaptação ele cortou algumas coisas tirou outras, claro que a gente sempre ia conversando. Em alguns momentos eu fiz layout de algumas páginas porque em alguns momentos o texto era pouco descritivo ou era muito descritivo e ai era complicado de quadrinizar. Então 3 ou 4 paginas o layout quem fez fui eu. É um processo muito híbrido, inclusive eu nem queria determinar quem fez o que na história em quadrinhos, eu ia colocar só Bernardo e Thiago, pronto! A gente fez tudo.
Quanto tempo levou desde a idéia da revista até tê-la publicada?
O projeto foi apresentado em Abril de 2008 e se a gente contar a partir do momento que eu fiz o projeto já ta com um ano e 5 meses, mas eu só fui começar a desenhar de fato em Setembro do ano passado então eu digo que foi um ano. Em Setembro do ano passado eu saí da FUNDAC, comecei a fazer o roteiro e foram 4 meses de roteiro e nesses 4 meses foram 8 meses desenhando as 152 páginas que dá quase 20 páginas por mês que é uma media razoável.
Quais foram os recursos gráficos que você usou para confecção da revista? Foi tudo manual?
Foi tudo manual. Houve um tratamento final das páginas no computador, o tratamento foi feito pelo Pedro Victor. Ele quem escaneou todas as paginas. Havia um ou outro erro na pagina, tipo uma caneta que passava do ponto na hora de fazer o quadrinho, então ele retocava a linha, um borrão de nanquim que saia do quadrinho, então esse tratamento visual foi feito depois, esse tratamento é como uma limpeza na página ela não interfere tanto assim na revista. É um retoque. Então, eu diria que 99% da revista foi feito toda manualmente mesmo. Todo o texto foi colocado posteriormente pelo computador no Corel Draw.
Você acredita que esse livro contribui em que aspectos para a história do Piauí?
Bom, a história de forma geral é uma coisa que precisa ser sempre buscada, precisa ser sempre revista. Eu não nego que, de certa forma, essa minha história é muito auspiciosa. Eu tinha a necessidade de fazer a história auspiciosa e didática então, não tenho grandes pretensões de releituras da história da batalha do jenipapo, minha intenção não era essa. Mas ela tem um caráter fundamental que é de popularização da historia tradicional, eu apresento os fatos que delinearam a história numa linguagem que é mais comum, mais acessível. Então o fator fundamental dessa revista é a facilidade de apresentar algo que o Estado e que o povo do Piauí precisa conhecer mais e quer conhecer. O estado tem interesse, tem reverenciado cada vez mais a batalha do Jenipapo, e a história em quadrinhos só tem a acrescentar na totalização da temática. Inclusive outras edições em tiragens mais simples, com o formato mais barato pra distribuição gratuita a gente espera que aconteça.
De onde veio o interesse pelos quadrinhos?
É bem antigo. Eu sou o caçula de uma família de 3 e nós 3 desenhávamos. O meu pai desenhava. Nosso pai, na verdade, sempre foi envolvido com arte e desde criança ele nos envolvia de alguma forma. Levava-nos ao teatro, quando tinha, então a gente via espetáculos cênicos, ele nos levava a shows musicais, nos presenteava com brinquedos musicais e nos presenteava justamente com histórias em quadrinhos. Então, a gente sempre teve um leque de profissões artísticas pra escolher e a história em quadrinhos venceu todas elas, foi a mais atrativa. Desde criança a gente desenha com o nosso pai, que também rabiscava, desenhava e pintava. Foi daí. Minha inspiração foi mesmo o Thiago, que desenha comigo. Ele era uma pessoa mais próxima de mim que desenhava bem melhor que eu. Eu ia aprendendo com ele, à medida que ele ia aprendendo também.
Nada mais oportuno que lançar a revista numa feira de quadrinhos, como foi a realização da feira?
São 10 anos. A décima edição precisava ser especial, não só por ser a décima em si, mas esse ano a gente tinha a necessidade de fazer alguma coisa diferente. Porque inclusive, de uns três anos, a feira vinha decaindo de público, vinha decaindo de atrativos. Apesar de a gente premiar e selecionar a feira em editais públicos como o BNB. A gente premiava, conseguia melhorar a feira, do ponto de vista competitivo tinha publicação, mas de público a feira vem caindo. A gente necessitava fazer uma feira que melhorasse de público, e esse ano foi muito especial. A gente conseguiu esse objetivo, a gente lotou a galeria com atrações não só de quadrinhos, de exibição de desenhos, de shows, de teatro, então foi uma feira muito interessante pra estar aqui nesse momento com essa revista sendo lançada aqui. Inclusive, eu acho a revista mais importante para a história do quadrinho no Piauí do que pra história do Piauí.
Com a realização da feira e dessa revista, como que você avalia a produção cultural de quadrinhos no Piauí?
No ponto de vista dos quadrinhos, a feira vem melhorando nos pontos de publicação e premiação. A gente tem feito isso bem, tem republicado os premiados, e essa é uma publicação importantíssima que marca um selo. Um tipo de publicação que a gente quer dar continuidade. Inclusive, o núcleo de quadrinhos ajudou o Edinaldo Carvalho, que é um autor que foi premiado com a lei Tito Filho, com um romance gráfico, que é uma forma mais pomposa de realizar quadrinho, o Graphic Novel do Cabeça de Cuia. A gente vai lançar esse ano. Então é um momento marcante, é um momento que a Batalha do Jenipapo tem que ter uma vitrine, que as pessoas que fazem quadrinhos no Piauí vejam que podem publicar obras densas, que só os quadrinhistas podem trabalhar, e se superar fazendo. Deixar de fazer coisas pequenas pra deixar guardado na gaveta e apresentar propostas mais grandiosas, eu acho que esse momento serve pra isso, pra mostrar. Eu tenho outro projeto, já estou desenvolvendo outros projetos e eu acho que o momento é daqui pra frente, tentar não parar.
O mais prazeroso e mais trabalhoso, foi a feira ou o livro?
A feira com certeza. Desenhar a história em quadrinho foi muito gostoso. Trabalhar com meu irmão e a gente escolhia o dia que trabalhava, a hora que trabalhava e ser seu próprio patrão é muito bom. A feira de quadrinho demanda outros fatores muito maiores que seu próprio prazer, a sua hora de decidir o que vai fazer, a feira é muito mais complicada.
A revista Foice e Facões - A Batalha do Jenipapo está à venda e custa 30,00. Para comprar a revista e recebê-la em casa basta depositar o valor na conta de CAIO THIAGO de Andrade Oliveira BB Conta Poupança 26.661-2 AG 3285-9 e mandar uma cópia do comprovante de depósito para bernardohq@hotmail.com juntamente com seus dados e endereço completos.
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O que o levou a escolher o tema da Batalha do Jenipapo e porque retratá-la em Quadrinhos?
O que me levou foi que eu trabalhei na Fundação Cultural do Estado há quase três anos e lá na fundação eu tive acesso a vários ensaios e apresentações da peça de teatro de Aci Campelo que é executada sobre a Batalha. Então, eu vi essas apresentações, vi os personagens dialogando e interagindo e vi uma boa história, eu achava que tinha todo um apelo que uma boa história de quadrinho precisa ter, era uma boa história pra ser contada. Também sou formado em História pela UESPI e tive contato com alguns textos sobre a Batalha ainda no meu meio de formação e gostei muito dos textos do Monsenhor Chaves. Achei a literatura dele muito boa, a forma como ele relatava era bem interessante. E a Batalha é um tema recorrente aos piauienses, é um tema que enaltece a gente, é um tema que muitos artistas procuram trabalhar e eu já tinha escutado o próprio Amaral falando de trabalhos em artes gráficas da batalha, então achei que daria pra fazer um bom trabalho. Em quadrinho porque é minha área, onde eu trabalho e resolvi trabalhar com quadrinho porque é o que eu faço de melhor.
Como foi fazer a revista? Você se encarregou de todo o processo?
Eu fiz um projeto e eu trabalhava na Fundação Cultural ainda, se eu não me engano em abril de 2008 e eu apresentei o projeto direto pro governador e pra Sonia Terra e de imediato eles aprovaram a revista. O processo foi muito simples, foi basicamente eu e meu irmão que fizemos a revista. Eu fiz o roteiro meu irmão fez todos os layouts das páginas, eu fiz toda a arte final e editoração. Basicamente um trabalho a dois, mas no final da revista eu convidei várias pessoas conhecidas, desenhistas chargistas que participaram, então tem mais 15 convidados que produziram a ilustração e preenchem a revista. Além de meu primo Pedro Victor e o Antônio Victor que são os desenhistas que fizeram a capa, foi muito importante a capa deles, fiquei muito satisfeito com a capa que eles fizeram.
O fato de ser historiador te ajudou a fazer o roteiro da revista?
Muito. O que eu mais gostei no meu curso de História foi da não ilusão de uma história total ou da busca da verdade. Então eu tive essa consciência de que eu ia contar uma história oficial, uma historia pro governo, de que é uma historia vendida pro governo, mas eu tinha consciência de que eu queria algo autoral também. Autoral e verdadeiro, por isso eu criei um núcleo fictício pra historia, eu tentei humanizar os personagens. Inclusive o próprio Fidié que é pintado como um grande vilão pela historiografia oficial. Na verdade eu não culpo a historiografia, mas eu culpo o senso comum que as pessoas têm do Fidié. Até vulgarmente falando, chamam ele de “fidiégua” e pelo contrario, achei um personagem excelente, o personagem que eu mais gostei de trabalhar na história. Acho que porque eu tinha essa intenção de mostrá-lo como um bom soldado.
No processo criativo foi seu irmão quem fez as ilustrações, mas você deu opinião e disse como deveria ser tal personagem, alguma coisa do tipo?
Foi um processo de criação interessante porque a gente praticamente não fez layout dos personagens, a gente não criou a priori os personagens, não concebemos assim. Foi desenhando, fazendo e mostrando. Na hora que o personagem aparecia agente discutia rapidamente como seria e normalmente eu fazia uma referência. Muitas pessoas não sabem, mas a cara de nordestino do Teobaldo é inspirado num personagem que não tem nada a ver com os nordestinos que é um personagem Lance Henriksen que é o ator de Millenium, uma serie norte americana, então quando eu vi o lance eu disse pô o Teobaldo tem a cara do Lance que é uma cara fechada, uma cara com rugas, riscada seria. Então, eu fiz algumas referencias assim. O personagem Português, que é o personagem que faz o par romântico, o Thiago diz que ele é parecido com o Felipe Dylon. Algumas referencias haviam, mas a gente não tinha imagem nem nada parecido pra nos basear. É muito difícil, não existem recursos visuais desse período no Piauí, é praticamente inexistente. Fotografia se existisse no Brasil, não tinha chegado ainda aqui no Piauí. Então, as referencias foram assim. Em alguns momentos o roteiro foi sendo adaptado para a necessidade do Thiago de quadrinizar. O Thiago não fez somente desenhar o roteiro, ele adaptou o meu texto, o meu texto não era o roteiro técnico, e nessa adaptação ele cortou algumas coisas tirou outras, claro que a gente sempre ia conversando. Em alguns momentos eu fiz layout de algumas páginas porque em alguns momentos o texto era pouco descritivo ou era muito descritivo e ai era complicado de quadrinizar. Então 3 ou 4 paginas o layout quem fez fui eu. É um processo muito híbrido, inclusive eu nem queria determinar quem fez o que na história em quadrinhos, eu ia colocar só Bernardo e Thiago, pronto! A gente fez tudo.
Quanto tempo levou desde a idéia da revista até tê-la publicada?
O projeto foi apresentado em Abril de 2008 e se a gente contar a partir do momento que eu fiz o projeto já ta com um ano e 5 meses, mas eu só fui começar a desenhar de fato em Setembro do ano passado então eu digo que foi um ano. Em Setembro do ano passado eu saí da FUNDAC, comecei a fazer o roteiro e foram 4 meses de roteiro e nesses 4 meses foram 8 meses desenhando as 152 páginas que dá quase 20 páginas por mês que é uma media razoável.
Quais foram os recursos gráficos que você usou para confecção da revista? Foi tudo manual?
Foi tudo manual. Houve um tratamento final das páginas no computador, o tratamento foi feito pelo Pedro Victor. Ele quem escaneou todas as paginas. Havia um ou outro erro na pagina, tipo uma caneta que passava do ponto na hora de fazer o quadrinho, então ele retocava a linha, um borrão de nanquim que saia do quadrinho, então esse tratamento visual foi feito depois, esse tratamento é como uma limpeza na página ela não interfere tanto assim na revista. É um retoque. Então, eu diria que 99% da revista foi feito toda manualmente mesmo. Todo o texto foi colocado posteriormente pelo computador no Corel Draw.
Você acredita que esse livro contribui em que aspectos para a história do Piauí?
Bom, a história de forma geral é uma coisa que precisa ser sempre buscada, precisa ser sempre revista. Eu não nego que, de certa forma, essa minha história é muito auspiciosa. Eu tinha a necessidade de fazer a história auspiciosa e didática então, não tenho grandes pretensões de releituras da história da batalha do jenipapo, minha intenção não era essa. Mas ela tem um caráter fundamental que é de popularização da historia tradicional, eu apresento os fatos que delinearam a história numa linguagem que é mais comum, mais acessível. Então o fator fundamental dessa revista é a facilidade de apresentar algo que o Estado e que o povo do Piauí precisa conhecer mais e quer conhecer. O estado tem interesse, tem reverenciado cada vez mais a batalha do Jenipapo, e a história em quadrinhos só tem a acrescentar na totalização da temática. Inclusive outras edições em tiragens mais simples, com o formato mais barato pra distribuição gratuita a gente espera que aconteça.
De onde veio o interesse pelos quadrinhos?
É bem antigo. Eu sou o caçula de uma família de 3 e nós 3 desenhávamos. O meu pai desenhava. Nosso pai, na verdade, sempre foi envolvido com arte e desde criança ele nos envolvia de alguma forma. Levava-nos ao teatro, quando tinha, então a gente via espetáculos cênicos, ele nos levava a shows musicais, nos presenteava com brinquedos musicais e nos presenteava justamente com histórias em quadrinhos. Então, a gente sempre teve um leque de profissões artísticas pra escolher e a história em quadrinhos venceu todas elas, foi a mais atrativa. Desde criança a gente desenha com o nosso pai, que também rabiscava, desenhava e pintava. Foi daí. Minha inspiração foi mesmo o Thiago, que desenha comigo. Ele era uma pessoa mais próxima de mim que desenhava bem melhor que eu. Eu ia aprendendo com ele, à medida que ele ia aprendendo também.
Nada mais oportuno que lançar a revista numa feira de quadrinhos, como foi a realização da feira?
São 10 anos. A décima edição precisava ser especial, não só por ser a décima em si, mas esse ano a gente tinha a necessidade de fazer alguma coisa diferente. Porque inclusive, de uns três anos, a feira vinha decaindo de público, vinha decaindo de atrativos. Apesar de a gente premiar e selecionar a feira em editais públicos como o BNB. A gente premiava, conseguia melhorar a feira, do ponto de vista competitivo tinha publicação, mas de público a feira vem caindo. A gente necessitava fazer uma feira que melhorasse de público, e esse ano foi muito especial. A gente conseguiu esse objetivo, a gente lotou a galeria com atrações não só de quadrinhos, de exibição de desenhos, de shows, de teatro, então foi uma feira muito interessante pra estar aqui nesse momento com essa revista sendo lançada aqui. Inclusive, eu acho a revista mais importante para a história do quadrinho no Piauí do que pra história do Piauí.
Com a realização da feira e dessa revista, como que você avalia a produção cultural de quadrinhos no Piauí?
No ponto de vista dos quadrinhos, a feira vem melhorando nos pontos de publicação e premiação. A gente tem feito isso bem, tem republicado os premiados, e essa é uma publicação importantíssima que marca um selo. Um tipo de publicação que a gente quer dar continuidade. Inclusive, o núcleo de quadrinhos ajudou o Edinaldo Carvalho, que é um autor que foi premiado com a lei Tito Filho, com um romance gráfico, que é uma forma mais pomposa de realizar quadrinho, o Graphic Novel do Cabeça de Cuia. A gente vai lançar esse ano. Então é um momento marcante, é um momento que a Batalha do Jenipapo tem que ter uma vitrine, que as pessoas que fazem quadrinhos no Piauí vejam que podem publicar obras densas, que só os quadrinhistas podem trabalhar, e se superar fazendo. Deixar de fazer coisas pequenas pra deixar guardado na gaveta e apresentar propostas mais grandiosas, eu acho que esse momento serve pra isso, pra mostrar. Eu tenho outro projeto, já estou desenvolvendo outros projetos e eu acho que o momento é daqui pra frente, tentar não parar.
O mais prazeroso e mais trabalhoso, foi a feira ou o livro?
A feira com certeza. Desenhar a história em quadrinho foi muito gostoso. Trabalhar com meu irmão e a gente escolhia o dia que trabalhava, a hora que trabalhava e ser seu próprio patrão é muito bom. A feira de quadrinho demanda outros fatores muito maiores que seu próprio prazer, a sua hora de decidir o que vai fazer, a feira é muito mais complicada.
A revista Foice e Facões - A Batalha do Jenipapo está à venda e custa 30,00. Para comprar a revista e recebê-la em casa basta depositar o valor na conta de CAIO THIAGO de Andrade Oliveira BB Conta Poupança 26.661-2 AG 3285-9 e mandar uma cópia do comprovante de depósito para bernardohq@hotmail.com juntamente com seus dados e endereço completos.
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sábado, 10 de outubro de 2009
LANÇAMENTO DA REVISTA FOICES & FACÕES EM SÃO PAULO
Os irmãos Caio Oliveira e Bernardo Aurélio (piripirienses ) estarão em São Paulo no dia 15 de outubro lançando seu livro “Foices e Facões – A Batalha do Jenipapo” na livraria especializada em quadrinhos HQ MIX (Praça Roosevelt, nº 142. Centro - São Paulo - SP). A banca é referência no que diz respeito a quadrinhos em São Paulo e seu homenageia o nome do principal prêmio do quadrinho nacional, criado a mais de vinte anos delo dono da banca, Gualberto Costa, que já esteve em Teresina várias vezes durante o Salão Internacional de Humor. Na primeira vez que esteve aqui, no início da década de 1990, Gualberto Costa ministrou uma oficina sobre a construção de um Núcleo de Quadrinhos, o que foi o ponto de partida para o atual Núcleo que realiza há mais de dez anos a “Feira HQ”, principal evento competitivo de histórias em quadrinhos no Estado, e instituição através da qual Bernardo Aurélio é o presidente e pôde realizar a produção do seu sobre a batalha do Jenipapo.
RELEASE
Foi sangrenta a reação das províncias do norte ao grito do Ipiranga e ao plano da coroa portuguesa de recolonizar parte do Brasil. Piauí, Ceará e Maranhão foram palco da última tentativa de Dom João VI de manter sua colônia, que levou os interesses brasileiros e portugueses ao campo de batalha.
Em 13 de março de 1823, Campo Maior, pequena vila piauiense, encenou o mais importante episódio que o Piauí pode contar na história da construção e unificação do Brasil independente. Uma história sobre liberdade e unidade nacional diante das ameaças que dividiam o país. Sobre o ódio que surge entre portugueses e brasileiros, colonizadores e colonizados.
Neste cenário, uma família de vaqueiros assiste a tudo e se vê no dever de participar da luta armada, engrossando o corpo de dois mil homens do campo, roceiros e escravos que tiveram de enfrentar o exército imperial lusitano. A história dos anônimos que lutaram pelo ideal separatista. Sobre o papel de cada homem diante de um cenário de guerra e sua responsabilidade com a própria família, dividido entre o dever de matar e de viver, simplesmente.
“Foices e Facões – A Batalha do Jenipapo” tem autoria de Bernardo Aurélio e Caio Oliveira e narra o famoso evento que destacou o Piauí durante o processo de independência do Brasil. É uma obra patrocinada Governo do Estado do Piauí e realizada pelo Núcleo de Quadrinhos do Piauí, associação que organiza a Feira HQ, que este ano chegou a sua 10ª edição, ocasião na qual o livro foi lançado. A primeira tiragem terá 80% dos livros doados gratuitamente em escolas, bibliotecas públicas e instituições culturais sem fins lucrativos.
Bernardo Aurélio, nascido a 27 de setembro de 1982, é presidente do Núcleo de Quadrinhos do Piauí, que realiza há mais de dez anos a ‘‘Feira HQ’’, maior evento de quadrinhos do Estado. É formado em Licenciatura Plena em História, pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI, com especialização em Artes Visuais pela Universidade Federal do Piauí - UFPI.
Caio Oliveira, natural de Piripiri-PI, nascido a 11 de junho de 1979, é formado pelo Curso de Quadrinhos da Quanta Academia de Artes - São Paulo, criador da tirinha ‘‘Os Tímidos’’, publicado no jornal Meio Norte e ficou entre os semi-finalistas no concurso internacional ‘‘Comic Book Idols’’
Foices e Facões – A Batalha do Jenipapo (200 páginas. 15,5 x 22 cm. R$ 30,00)
Interessado em comprar por correios? Deposite o valor na conta de CAIO THIAGO de Andrade Oliveira BB CONTA POUPANÇA 26.661-2 AG 3285-9, mande uma cópia do comprovante de depósito para bernardohq@hotmail.com junto com seu endereço e o livro chega à sua casa, sem custos adicionais...
RELEASE
Foi sangrenta a reação das províncias do norte ao grito do Ipiranga e ao plano da coroa portuguesa de recolonizar parte do Brasil. Piauí, Ceará e Maranhão foram palco da última tentativa de Dom João VI de manter sua colônia, que levou os interesses brasileiros e portugueses ao campo de batalha.
Em 13 de março de 1823, Campo Maior, pequena vila piauiense, encenou o mais importante episódio que o Piauí pode contar na história da construção e unificação do Brasil independente. Uma história sobre liberdade e unidade nacional diante das ameaças que dividiam o país. Sobre o ódio que surge entre portugueses e brasileiros, colonizadores e colonizados.
Neste cenário, uma família de vaqueiros assiste a tudo e se vê no dever de participar da luta armada, engrossando o corpo de dois mil homens do campo, roceiros e escravos que tiveram de enfrentar o exército imperial lusitano. A história dos anônimos que lutaram pelo ideal separatista. Sobre o papel de cada homem diante de um cenário de guerra e sua responsabilidade com a própria família, dividido entre o dever de matar e de viver, simplesmente.
“Foices e Facões – A Batalha do Jenipapo” tem autoria de Bernardo Aurélio e Caio Oliveira e narra o famoso evento que destacou o Piauí durante o processo de independência do Brasil. É uma obra patrocinada Governo do Estado do Piauí e realizada pelo Núcleo de Quadrinhos do Piauí, associação que organiza a Feira HQ, que este ano chegou a sua 10ª edição, ocasião na qual o livro foi lançado. A primeira tiragem terá 80% dos livros doados gratuitamente em escolas, bibliotecas públicas e instituições culturais sem fins lucrativos.
Bernardo Aurélio, nascido a 27 de setembro de 1982, é presidente do Núcleo de Quadrinhos do Piauí, que realiza há mais de dez anos a ‘‘Feira HQ’’, maior evento de quadrinhos do Estado. É formado em Licenciatura Plena em História, pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI, com especialização em Artes Visuais pela Universidade Federal do Piauí - UFPI.
Caio Oliveira, natural de Piripiri-PI, nascido a 11 de junho de 1979, é formado pelo Curso de Quadrinhos da Quanta Academia de Artes - São Paulo, criador da tirinha ‘‘Os Tímidos’’, publicado no jornal Meio Norte e ficou entre os semi-finalistas no concurso internacional ‘‘Comic Book Idols’’
Foices e Facões – A Batalha do Jenipapo (200 páginas. 15,5 x 22 cm. R$ 30,00)
Interessado em comprar por correios? Deposite o valor na conta de CAIO THIAGO de Andrade Oliveira BB CONTA POUPANÇA 26.661-2 AG 3285-9, mande uma cópia do comprovante de depósito para bernardohq@hotmail.com junto com seu endereço e o livro chega à sua casa, sem custos adicionais...
domingo, 20 de setembro de 2009
Resultado 10ª Feira HQ
PREMIADOS 10ª FEIRA HQ – 2009
PUBLICAÇÃO
3º – Prego, de Alexsander Vieira, de Vila Velha-ES
2º – Gente Feia na TV, de Alexsander Vieira, de Vila Velha-ES
1º – Samba, de Gabriel Goes, Gabriel Mesquita e Lucas Gehre, de Brasília – DF.
ILUSTRAÇÃO INFANTO JUVENIL
3º – Nazareth Machado, de Marina Romero, de Teresina – PI.
2º – Haverick, de Francisco Carvalho Neto, de Teresina – PI.
1º – Amatertsu, de Lucas Rodrigues, de Teresina – PI.
HISTÓRIA EM QUADRINHOS INFANTO JUVENIL
Morrer ou viver? Eis a questão, de Matheus Barbosa, de Teresina – PI.
ILUSTRAÇÃO
3º – Morley Cigarrets, de Danielle Dantas, de Teresina – PI.
2º – Sem Título, de Gabriel Goes, de Brasília – DF.
1º – Beautiful Black Babe, de Esaul Furtado, de Teresina – PI.
MELHOR ROTEIRO PARA QUADRINHOS
3º – Marcas, de Samuel Carneiro Chagas, de Timon – MA.
2º – Uma História de Muitas Cidades, de Marcelo Oliveira, de Salvador - BA
1º – O Elíptico, de Jaison Castro Silva, de Teresina – PI.
MELHOR DESENHO PARA QUADRINHOS
3º – Uma História de Muitas Cidades, de Marcelo Oliveira, de Salvador - BA
2º – Réquiem para o Diabo, de Edinaldo Ferreira, de Teresina-PI
1º – A Obra de Arte, de Antonio Cardoso, Timon – MA.
HISTÓRIA EM QUADRINHOS ESTILO MANGÁ
3º – O Fio da Meada, de Ludmila Monteiro, de Teresina – PI.
2º – Para Aqueles que Não Leram esse Livro, de José Chaves Filho, de Teresina – PI.
1º – Ginga Brasil, de David Lima, de Teresina – PI.
MELHOR HISTÓRIA EM QUADRINHOS
3º – Sim, Kimosabe, de Betir Lopes, de Manhaçu – MG.
2º – Jimmy Black Dog, de Dereck L. Teixeira, de Teresina-PI
1º – Sobre Nuvens e Sombras, de Zorbba Igreja, de Teresina - PI
PUBLICAÇÃO
3º – Prego, de Alexsander Vieira, de Vila Velha-ES
2º – Gente Feia na TV, de Alexsander Vieira, de Vila Velha-ES
1º – Samba, de Gabriel Goes, Gabriel Mesquita e Lucas Gehre, de Brasília – DF.
ILUSTRAÇÃO INFANTO JUVENIL
3º – Nazareth Machado, de Marina Romero, de Teresina – PI.
2º – Haverick, de Francisco Carvalho Neto, de Teresina – PI.
1º – Amatertsu, de Lucas Rodrigues, de Teresina – PI.
HISTÓRIA EM QUADRINHOS INFANTO JUVENIL
Morrer ou viver? Eis a questão, de Matheus Barbosa, de Teresina – PI.
ILUSTRAÇÃO
3º – Morley Cigarrets, de Danielle Dantas, de Teresina – PI.
2º – Sem Título, de Gabriel Goes, de Brasília – DF.
1º – Beautiful Black Babe, de Esaul Furtado, de Teresina – PI.
MELHOR ROTEIRO PARA QUADRINHOS
3º – Marcas, de Samuel Carneiro Chagas, de Timon – MA.
2º – Uma História de Muitas Cidades, de Marcelo Oliveira, de Salvador - BA
1º – O Elíptico, de Jaison Castro Silva, de Teresina – PI.
MELHOR DESENHO PARA QUADRINHOS
3º – Uma História de Muitas Cidades, de Marcelo Oliveira, de Salvador - BA
2º – Réquiem para o Diabo, de Edinaldo Ferreira, de Teresina-PI
1º – A Obra de Arte, de Antonio Cardoso, Timon – MA.
HISTÓRIA EM QUADRINHOS ESTILO MANGÁ
3º – O Fio da Meada, de Ludmila Monteiro, de Teresina – PI.
2º – Para Aqueles que Não Leram esse Livro, de José Chaves Filho, de Teresina – PI.
1º – Ginga Brasil, de David Lima, de Teresina – PI.
MELHOR HISTÓRIA EM QUADRINHOS
3º – Sim, Kimosabe, de Betir Lopes, de Manhaçu – MG.
2º – Jimmy Black Dog, de Dereck L. Teixeira, de Teresina-PI
1º – Sobre Nuvens e Sombras, de Zorbba Igreja, de Teresina - PI
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Entrevista para o Jornal Meio Norte . Caderno For Teens
For Teens: Qual as novidades da décima edição da Feira HQ?
Bernardo Aurélio: A principal novidade é o lançamento da revista "Foices e Facões - A Batalha do Jenipapo". Revista patrocinada pelo governo do Estado e produzida pelos irmãos Bernardo Aurélio (eu, que já escrevi para o For Teens a coluna Estação HQ por quase três anos) e Caio Oliveira. Outros atrativos são: lançamento no Piauí da revista Balaiada, dos maranhenses Iramir Araújo, Ronilson Freire e Beto Nicácio. Fora isso, o evento cresceu em categorias. Até ano passado eram apenas três categorias competitivas. Agora são nove (veja regulamento nucleodequadrinhospi.blogspot.com)! Cresceu também em participação e em qualidade dos trabalhos concorrentes.
FT: Como é chegar até a décima edição?
BA: Isso é importante perguntar porque os jornalistas sempre querem novidades. As vezes, as novidades não são o mais importante. Chegar a décima edição é o principal fato do evento: continuísmo, solidez na organização do evento, desejo de continuar fazendo e superando as adversidades. Esse ano publicamos a 3ª edição da revista Feira HQ. Logo logo sairá a 4ª, com os trabalhos premiados da 10ª edição do evento. E a cada ano a gente faz isso. Ano que vem será a 11ª, um número menos importante? Claro que não! Menos redondo, eu diria!
Eu escrevi um texto que está no folder do nosso evento:” ...Porque chegamos à décima edição do evento “feira hq” não quer dizer que estamos satisfeitos. Porque chegamos à terceira edição da revista feira hq, não temos pretensões de conquistarmos o mundo. Porque as coisas são difíceis e se fosse para desistirmos já o teríamos feito. Porque amamos mais os quadrinhos do que nossa capacidade de fazermos o que eles merecem. Porque nos calçamos sem ignorar as pedras que enxergam em nossos sapatos pela necessidade que sentimos em fazê-lo. Porque tudo ainda é muito pequeno e não nos envergonha falar de sonhos. Porque ainda estamos aqui: talvez não com as mãos e ouvidos calejados como deveriam. porque todo artista canta suas glórias e desgraças, também vamos cantar as nossas: uma década, uma década, uma década, uma década, uma década, uma década ...”
Acho que é isso. De uma maneira geral, estou muito feliz.
FT: O que mudou no mundo dos quadrinhos nesse tempo?
BA: Essa é complicada. Nesses últimos anos, os quadrinhos como o conhecemos (impresso, com balões, com quadrinhos) completou 100 anos. Acho que temos uma arte bem nova neste ponto de vista. Nos últimos dez anos vimos o mangá se espalhar e se solidificar pelo mundo. Vimos o quadrinho publicado em formato livro ganhar as livrarias, consolidando o formato Graphic Novel (Romance gráfico). Vimos os quadrinhos invadirem o cinema. Vemos o quadrinhista nacional ganhar espaço no Brasil, como Lourenço Mutarelli, Grampa, irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá entre outros (pouco e inconstante, mas está melhorando). Vimos os quadrinhos de super-heróis se reinventando para superar uma crise de mesmices (Autority, Astro City, Top 10, Promethea, Ex Machina). Infelizmente, vemos os quadrinhos tendo dificuldades para criar novos públicos de uma forma geral. Vemos cada vez menos quadrinhos específicos para o público infantil (com exceção da Turma da Mônica)... Enfim, tanta coisa!
FT: O que mudou na cabeça do teresinense em relação aos quadrinhos nesse tempo?
BA: Acho que pouco. O evento não é grande o suficiente para mudar a cabeça do seu público. Vemos, como em todo o Brasil, um mundo de mangakás, otakus (fanáticos por animação e quadrinhos japoneses). Acho que isso é o principal fato. Mas fazemos nosso trabalho de formiga. Me animo em ver que todo ano certas pessoas participam do evento. Sempre mandando trabalhos. Imagino que o Núcleo de Quadrinhos do Piauí está dando sua contribuição no estímulo à criação artística. Fazemos um certo número de pessoas continuarem produzindo. E estamos publicando esses caras! Vai chegar um dia que dirão: temos um cenário de quadrinhos que se movimenta e produz no Piauí. Um dia cai a ficha. Quando divulgamos nosso evento alguns sempre perguntam: “é a primeira vez que vocês fazem esse evento?”. Respondo: “Não! É a décima! Surpresa!!!”
FT: Como as demais mídias, como mangás, animes e desenhos animados, se relacionam com a HQ atualmente?
BA: Primeiro, permita-me esclarecer algo: Sua pergunta deixa a entender que mangá não é HQ(história em quadrinhos). É um erro bem comum. Mangá é HQ. Mangá é como se chamam os quadrinhos no Japão, da mesma forma que usamos Gibi no Brasil, comic nos EUA, banda desenhada em Portugal, essas coisas... Sobre sua pergunta, no Japão o relacionamento entre as mídias é bem claro. Sonia Luyten, doutora na área, fala de um tripé que se sustenta muito bem: quadrinhos, animações e brinquedos/jogos. Um produto incentivando o outro, como um acordo entre empresas. Normalmente, um mangá que faz sucesso vira animação que depois gera brinquedos ou jogos eletrônicos. No Brasil temos muita dificuldade com isso. Com exceção do Parque da Mônica e os vários brinquedos e produtos ligados a área. Temos também animações da Turma. Está em pré-produção uma animação do quadrinho nacional Holy Avenger, que seria um divisor de águas no mundo dos quadrinhos nacionais... Mas até onde eu sei está em pré-produção a quase 5 anos... Acho que não tem consistência. O mundo dos quadrinhos no Brasil agora que apresenta primeiros indícios de solidificação... Alcançar a indústria de brinquedos e da TV é um alvo distante. Imagine o que foram os anos 80 e 90, com a galera da Chiclete com Banana, que não conseguiram alçar vôos mais altos. É difícil! Já viu o desenho animado do Wood e Stock? É razoável...
FT: Com a internet, o que ainda podemos esperar dos quadrinhos como forma de comunicação?
BA: Primeiro a internet precisa realmente baixar a cabeça e dizer: “poxa! Ainda não somos tudo isso que vendemos ser...”. Num país como o Brasil, onde temos um dos maiores números de acessos diários no mundo, ainda temos de pagar pela internet! E internet ruim, diga-se de passagem! Ainda vou esperar umas duas décadas pra ver a TV se juntar com a net e está disponível de graça em todas os televisores digitais do Brasil e fazer a verdadeira revolução na Internet. Depois disso, vamos ver o que os quadrinhos podem fazer realmente. Scott McCloud (teórico famoso na área) fala das infinitas possibilidades de quadrinhos infinitos, sem preocupações com o espaço virtual. E até produz quadrinhos assim, como muitos outros. Pra mim, enquanto tivermos de ler um quadrinho numa conexão fulêra e num computador de, no mínimo R$ 1.500,00, tudo não passa de balela conceitual.
FT: Como a indústria do cinema ajuda os quadrinhos?
BA: Eu acho que os quadrinhos estão servindo muito mais ao cinema do que o contrário. Imagine que Homem Aranha 4 está em fase de pré-produção e já temos os roteiros para o 5º e o 6º sendo produzidos. É uma loucura! Hollywood estava passando por uma crise criativa, só pode ser! Os super heróis que fazem sucesso hoje na telona existem há décadas e ninguém poderoso lá havia dito: “vamos fazer isso direito!”. Considero Blade o filme da retomada dos quadrinhos para o Cinema. Depois dele veio X-Men. Pronto! Aprovado e carimbado. Quadrinhos vende ingressos. Poucos sabem que excelentes filmes como Estrada para Perdição e Do Inferno, O Anti-Herói Americano são baseados ou inspirados em quadrinhos.
Mas respondendo a sua pergunta de fato, os X-Men ganharam uniformes mais parecidos com os do filme depois da estréia. Um ano depois tudo voltou ao normal. O Cinema cria modismos nos quadrinhos para tentar atrair um público que viu o filme e pode começar a ler o quadrinho, mas na maioria das vezes isso não acontece. Imagine que os X-Men tem cerca de 40 anos de história. Super Homem e Batman tem uns 70. Um leitor novato tem muita dificuldade de se inserir nesses cenários.
FT: Há poucos dias, a Disney comprou a Marvel Comics e a DC já era controlada por outro grande grupo. Como o quadrinho autoral pode sobreviver nesse contexto?
BA: Fazendo da forma que sempre fez. Vendendo para o público que sempre existiu. Existe comprador pra tudo. Entretanto, o principal público do quadrinho autoral não é o mercado, é o próprio autor, que produz algo por motivações internas e sempre encontra espaço e meios pra isso. Entretanto, vale lembrar que a estúpida maioria dos quadrinhos autorais sempre continuam e continuarão nas gavetas de quem os criou.
FT: Como se dá a escolha do que vai ser apresentado na Feira HQ?
BA: Nada complicado. Temos um problema de espaço. A galeria do Club dos Diários suporta no máximo umas 120 pranchetas (páginas). Nós, da organização, precisamos fazer essa seleção pensando neste número. Aí vai pelo gosto de cada um. Se houver impasse sobre algum trabalho, votamos, mas isso dificilmente acontece.
FT: Em relação à obra "Foices e Facões - A Batalha do Jenipapo", conte-nos, um pouco, como foi o processo de criação e as dificuldades em produzir uma HQ no Piauí.
BA: Essa revista demorou um ano pra ser realizada. Desde a primeira frase escrita até o dia do lançamento. Em setembro do ano passado deixei meu emprego de coordenador de artes da Fundação Cultural do Estado para fechar o contrato de produção desse livro. Comecei a ler livros. Demorei quatro meses criando o roteiro. Em janeiro meu irmão começou a desenhar e eu a arte finalizar. Em agosto editei a revista. Coloquei na gráfica. Ainda está na gráfica. Recebo semana que vem, dia 18 lanço durante a 10ª Feira HQ. As maiores dificuldades foram imagens de referência. Muitos personagens históricos nós não tínhamos a menor noção de como eram. Tivemos de criar o visual. Tivemos toda liberdade criativa que pudéssemos querer. Com exceção de algumas coisas: vamos fazer pouco sangue, pretendemos enviar para alunos adolescentes. Não poderia ser nada muito violento. E um pequeno impasse na capa que resolvemos colocando o chapéu de couro na cabeça do vaqueiro, para completar a vestimenta típica do imaginário popular que temos desse personagem. Fora isso, só tenho a agradecer à FUNDAC por tudo e por nos apoiar desde o ano passado, quando começamos a fazer a Feira HQ no Clube dos Diários.
Bernardo Aurélio: A principal novidade é o lançamento da revista "Foices e Facões - A Batalha do Jenipapo". Revista patrocinada pelo governo do Estado e produzida pelos irmãos Bernardo Aurélio (eu, que já escrevi para o For Teens a coluna Estação HQ por quase três anos) e Caio Oliveira. Outros atrativos são: lançamento no Piauí da revista Balaiada, dos maranhenses Iramir Araújo, Ronilson Freire e Beto Nicácio. Fora isso, o evento cresceu em categorias. Até ano passado eram apenas três categorias competitivas. Agora são nove (veja regulamento nucleodequadrinhospi.blogspot.com)! Cresceu também em participação e em qualidade dos trabalhos concorrentes.
FT: Como é chegar até a décima edição?
BA: Isso é importante perguntar porque os jornalistas sempre querem novidades. As vezes, as novidades não são o mais importante. Chegar a décima edição é o principal fato do evento: continuísmo, solidez na organização do evento, desejo de continuar fazendo e superando as adversidades. Esse ano publicamos a 3ª edição da revista Feira HQ. Logo logo sairá a 4ª, com os trabalhos premiados da 10ª edição do evento. E a cada ano a gente faz isso. Ano que vem será a 11ª, um número menos importante? Claro que não! Menos redondo, eu diria!
Eu escrevi um texto que está no folder do nosso evento:” ...Porque chegamos à décima edição do evento “feira hq” não quer dizer que estamos satisfeitos. Porque chegamos à terceira edição da revista feira hq, não temos pretensões de conquistarmos o mundo. Porque as coisas são difíceis e se fosse para desistirmos já o teríamos feito. Porque amamos mais os quadrinhos do que nossa capacidade de fazermos o que eles merecem. Porque nos calçamos sem ignorar as pedras que enxergam em nossos sapatos pela necessidade que sentimos em fazê-lo. Porque tudo ainda é muito pequeno e não nos envergonha falar de sonhos. Porque ainda estamos aqui: talvez não com as mãos e ouvidos calejados como deveriam. porque todo artista canta suas glórias e desgraças, também vamos cantar as nossas: uma década, uma década, uma década, uma década, uma década, uma década ...”
Acho que é isso. De uma maneira geral, estou muito feliz.
FT: O que mudou no mundo dos quadrinhos nesse tempo?
BA: Essa é complicada. Nesses últimos anos, os quadrinhos como o conhecemos (impresso, com balões, com quadrinhos) completou 100 anos. Acho que temos uma arte bem nova neste ponto de vista. Nos últimos dez anos vimos o mangá se espalhar e se solidificar pelo mundo. Vimos o quadrinho publicado em formato livro ganhar as livrarias, consolidando o formato Graphic Novel (Romance gráfico). Vimos os quadrinhos invadirem o cinema. Vemos o quadrinhista nacional ganhar espaço no Brasil, como Lourenço Mutarelli, Grampa, irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá entre outros (pouco e inconstante, mas está melhorando). Vimos os quadrinhos de super-heróis se reinventando para superar uma crise de mesmices (Autority, Astro City, Top 10, Promethea, Ex Machina). Infelizmente, vemos os quadrinhos tendo dificuldades para criar novos públicos de uma forma geral. Vemos cada vez menos quadrinhos específicos para o público infantil (com exceção da Turma da Mônica)... Enfim, tanta coisa!
FT: O que mudou na cabeça do teresinense em relação aos quadrinhos nesse tempo?
BA: Acho que pouco. O evento não é grande o suficiente para mudar a cabeça do seu público. Vemos, como em todo o Brasil, um mundo de mangakás, otakus (fanáticos por animação e quadrinhos japoneses). Acho que isso é o principal fato. Mas fazemos nosso trabalho de formiga. Me animo em ver que todo ano certas pessoas participam do evento. Sempre mandando trabalhos. Imagino que o Núcleo de Quadrinhos do Piauí está dando sua contribuição no estímulo à criação artística. Fazemos um certo número de pessoas continuarem produzindo. E estamos publicando esses caras! Vai chegar um dia que dirão: temos um cenário de quadrinhos que se movimenta e produz no Piauí. Um dia cai a ficha. Quando divulgamos nosso evento alguns sempre perguntam: “é a primeira vez que vocês fazem esse evento?”. Respondo: “Não! É a décima! Surpresa!!!”
FT: Como as demais mídias, como mangás, animes e desenhos animados, se relacionam com a HQ atualmente?
BA: Primeiro, permita-me esclarecer algo: Sua pergunta deixa a entender que mangá não é HQ(história em quadrinhos). É um erro bem comum. Mangá é HQ. Mangá é como se chamam os quadrinhos no Japão, da mesma forma que usamos Gibi no Brasil, comic nos EUA, banda desenhada em Portugal, essas coisas... Sobre sua pergunta, no Japão o relacionamento entre as mídias é bem claro. Sonia Luyten, doutora na área, fala de um tripé que se sustenta muito bem: quadrinhos, animações e brinquedos/jogos. Um produto incentivando o outro, como um acordo entre empresas. Normalmente, um mangá que faz sucesso vira animação que depois gera brinquedos ou jogos eletrônicos. No Brasil temos muita dificuldade com isso. Com exceção do Parque da Mônica e os vários brinquedos e produtos ligados a área. Temos também animações da Turma. Está em pré-produção uma animação do quadrinho nacional Holy Avenger, que seria um divisor de águas no mundo dos quadrinhos nacionais... Mas até onde eu sei está em pré-produção a quase 5 anos... Acho que não tem consistência. O mundo dos quadrinhos no Brasil agora que apresenta primeiros indícios de solidificação... Alcançar a indústria de brinquedos e da TV é um alvo distante. Imagine o que foram os anos 80 e 90, com a galera da Chiclete com Banana, que não conseguiram alçar vôos mais altos. É difícil! Já viu o desenho animado do Wood e Stock? É razoável...
FT: Com a internet, o que ainda podemos esperar dos quadrinhos como forma de comunicação?
BA: Primeiro a internet precisa realmente baixar a cabeça e dizer: “poxa! Ainda não somos tudo isso que vendemos ser...”. Num país como o Brasil, onde temos um dos maiores números de acessos diários no mundo, ainda temos de pagar pela internet! E internet ruim, diga-se de passagem! Ainda vou esperar umas duas décadas pra ver a TV se juntar com a net e está disponível de graça em todas os televisores digitais do Brasil e fazer a verdadeira revolução na Internet. Depois disso, vamos ver o que os quadrinhos podem fazer realmente. Scott McCloud (teórico famoso na área) fala das infinitas possibilidades de quadrinhos infinitos, sem preocupações com o espaço virtual. E até produz quadrinhos assim, como muitos outros. Pra mim, enquanto tivermos de ler um quadrinho numa conexão fulêra e num computador de, no mínimo R$ 1.500,00, tudo não passa de balela conceitual.
FT: Como a indústria do cinema ajuda os quadrinhos?
BA: Eu acho que os quadrinhos estão servindo muito mais ao cinema do que o contrário. Imagine que Homem Aranha 4 está em fase de pré-produção e já temos os roteiros para o 5º e o 6º sendo produzidos. É uma loucura! Hollywood estava passando por uma crise criativa, só pode ser! Os super heróis que fazem sucesso hoje na telona existem há décadas e ninguém poderoso lá havia dito: “vamos fazer isso direito!”. Considero Blade o filme da retomada dos quadrinhos para o Cinema. Depois dele veio X-Men. Pronto! Aprovado e carimbado. Quadrinhos vende ingressos. Poucos sabem que excelentes filmes como Estrada para Perdição e Do Inferno, O Anti-Herói Americano são baseados ou inspirados em quadrinhos.
Mas respondendo a sua pergunta de fato, os X-Men ganharam uniformes mais parecidos com os do filme depois da estréia. Um ano depois tudo voltou ao normal. O Cinema cria modismos nos quadrinhos para tentar atrair um público que viu o filme e pode começar a ler o quadrinho, mas na maioria das vezes isso não acontece. Imagine que os X-Men tem cerca de 40 anos de história. Super Homem e Batman tem uns 70. Um leitor novato tem muita dificuldade de se inserir nesses cenários.
FT: Há poucos dias, a Disney comprou a Marvel Comics e a DC já era controlada por outro grande grupo. Como o quadrinho autoral pode sobreviver nesse contexto?
BA: Fazendo da forma que sempre fez. Vendendo para o público que sempre existiu. Existe comprador pra tudo. Entretanto, o principal público do quadrinho autoral não é o mercado, é o próprio autor, que produz algo por motivações internas e sempre encontra espaço e meios pra isso. Entretanto, vale lembrar que a estúpida maioria dos quadrinhos autorais sempre continuam e continuarão nas gavetas de quem os criou.
FT: Como se dá a escolha do que vai ser apresentado na Feira HQ?
BA: Nada complicado. Temos um problema de espaço. A galeria do Club dos Diários suporta no máximo umas 120 pranchetas (páginas). Nós, da organização, precisamos fazer essa seleção pensando neste número. Aí vai pelo gosto de cada um. Se houver impasse sobre algum trabalho, votamos, mas isso dificilmente acontece.
FT: Em relação à obra "Foices e Facões - A Batalha do Jenipapo", conte-nos, um pouco, como foi o processo de criação e as dificuldades em produzir uma HQ no Piauí.
BA: Essa revista demorou um ano pra ser realizada. Desde a primeira frase escrita até o dia do lançamento. Em setembro do ano passado deixei meu emprego de coordenador de artes da Fundação Cultural do Estado para fechar o contrato de produção desse livro. Comecei a ler livros. Demorei quatro meses criando o roteiro. Em janeiro meu irmão começou a desenhar e eu a arte finalizar. Em agosto editei a revista. Coloquei na gráfica. Ainda está na gráfica. Recebo semana que vem, dia 18 lanço durante a 10ª Feira HQ. As maiores dificuldades foram imagens de referência. Muitos personagens históricos nós não tínhamos a menor noção de como eram. Tivemos de criar o visual. Tivemos toda liberdade criativa que pudéssemos querer. Com exceção de algumas coisas: vamos fazer pouco sangue, pretendemos enviar para alunos adolescentes. Não poderia ser nada muito violento. E um pequeno impasse na capa que resolvemos colocando o chapéu de couro na cabeça do vaqueiro, para completar a vestimenta típica do imaginário popular que temos desse personagem. Fora isso, só tenho a agradecer à FUNDAC por tudo e por nos apoiar desde o ano passado, quando começamos a fazer a Feira HQ no Clube dos Diários.
domingo, 30 de agosto de 2009
Programação da 10ª Feira HQ
10ª Feira HQ (11 a 19 de setembro de 2009)
Sexta-feira, dia 11/09.
16hs – Michiko e Hatchin Epi 01 e 02 (50min).
17hs – Shakugan No Shana II Epi 01 e 02 (50min)
18:30hs - Lançamento da revista “Balaiada”, dos maranhenses Iramir Araújo, Ronilson Freire e Beto Nicácio.
19hs - Palestra: ‘‘Quadro a Quadro: O Núcleo de Quadrinhos do Piauí e seus (Des)encontros na produção de Arte Sequencial’’, com Dowglas Lima e Paula Beatriz.
20:30 hs – Hulk vs. Wolverine (30min).
Sábado, dia 12/09
9hs – Canaan Epi 01 e 02 (50 min).
10hs – Mesa redonda: Trabalhando com quadrinho, com Bernardo Aurélio, Leno Carvalho, Iramir Araújo e Mário David.
11hs – Bakemonogatari Epi 01 e 02 (50 min).
14hs - Mulher Maravilha movie/animação (70 minutos)
15:15hs - Needless Epi 01 e 02 (50 min)
16:10hs – Pré-lançamento da revista Hipocampo 4ª Ocorrência.
17hs - Hulk vs. Thor (30 min)
18hs - Peça ‘‘Black Shit’’, do Grupo Cultural APICE
19hs - Show com Validuaté.
Domingo, dia 13/09
9hs – FullMetal Alchemist Brotherhood 01 e 02 (50min).
10hs - Mesa redonda: HQs na Universidade: novos campos de pesquisas acadêmicas, com Mário David, Bernardo Aurélio, Kelma Gallas, Lucas Lins, Dowglas Lima e Paula Beatriz.
11:30hs – K-On Epi 01 e 02 (50min).
14hs – Basquash! Epi 01 e 02 (50 min)
15hs – Katekyo Hitman Reborn Epi 01 e 02 (50 min)
16hs - Mesa redonda: Apresentando a Jornada do Herói: um diálogo entre mito, cinema e quadrinhos, com Dalson Carvalho, Caú Duarte e Bernardo Aurélio.
18hs – Concurso e premiação da categoria Cosplay.
Dia 18 / 09
18hs - Cerimonial de Lançamento da Revista ‘‘Foices e Facões - A Batalha do Jenipapo’’, obra de Bernardo Aurélio e Caio Oliveira.
18:30hs - Divulgação dos trabalhos premiados e entrega do Troféu Hipocampo.
19:30hs - Saint Seiya - The Lost Canvas Epi 01 e 02 (50min).
Preços
Programação de palestra, mesas redondas e exibição de animês (Sala Torquato Neto) nos dias 11, 12 e 18/09: Gratuito.
Show Validuaté (Espaço Cultural Osório Jr.) dia 12/09: Gratuito
Ingressos para espetáculo “Black Shit” (Sala Torquato Neto): R$ 3,00.
Ingresso para exibição dia 13/09 (Sala Torquato Neto): R$ 2,00
Sexta-feira, dia 11/09.
16hs – Michiko e Hatchin Epi 01 e 02 (50min).
17hs – Shakugan No Shana II Epi 01 e 02 (50min)
18:30hs - Lançamento da revista “Balaiada”, dos maranhenses Iramir Araújo, Ronilson Freire e Beto Nicácio.
19hs - Palestra: ‘‘Quadro a Quadro: O Núcleo de Quadrinhos do Piauí e seus (Des)encontros na produção de Arte Sequencial’’, com Dowglas Lima e Paula Beatriz.
20:30 hs – Hulk vs. Wolverine (30min).
Sábado, dia 12/09
9hs – Canaan Epi 01 e 02 (50 min).
10hs – Mesa redonda: Trabalhando com quadrinho, com Bernardo Aurélio, Leno Carvalho, Iramir Araújo e Mário David.
11hs – Bakemonogatari Epi 01 e 02 (50 min).
14hs - Mulher Maravilha movie/animação (70 minutos)
15:15hs - Needless Epi 01 e 02 (50 min)
16:10hs – Pré-lançamento da revista Hipocampo 4ª Ocorrência.
17hs - Hulk vs. Thor (30 min)
18hs - Peça ‘‘Black Shit’’, do Grupo Cultural APICE
19hs - Show com Validuaté.
Domingo, dia 13/09
9hs – FullMetal Alchemist Brotherhood 01 e 02 (50min).
10hs - Mesa redonda: HQs na Universidade: novos campos de pesquisas acadêmicas, com Mário David, Bernardo Aurélio, Kelma Gallas, Lucas Lins, Dowglas Lima e Paula Beatriz.
11:30hs – K-On Epi 01 e 02 (50min).
14hs – Basquash! Epi 01 e 02 (50 min)
15hs – Katekyo Hitman Reborn Epi 01 e 02 (50 min)
16hs - Mesa redonda: Apresentando a Jornada do Herói: um diálogo entre mito, cinema e quadrinhos, com Dalson Carvalho, Caú Duarte e Bernardo Aurélio.
18hs – Concurso e premiação da categoria Cosplay.
Dia 18 / 09
18hs - Cerimonial de Lançamento da Revista ‘‘Foices e Facões - A Batalha do Jenipapo’’, obra de Bernardo Aurélio e Caio Oliveira.
18:30hs - Divulgação dos trabalhos premiados e entrega do Troféu Hipocampo.
19:30hs - Saint Seiya - The Lost Canvas Epi 01 e 02 (50min).
Preços
Programação de palestra, mesas redondas e exibição de animês (Sala Torquato Neto) nos dias 11, 12 e 18/09: Gratuito.
Show Validuaté (Espaço Cultural Osório Jr.) dia 12/09: Gratuito
Ingressos para espetáculo “Black Shit” (Sala Torquato Neto): R$ 3,00.
Ingresso para exibição dia 13/09 (Sala Torquato Neto): R$ 2,00
domingo, 16 de agosto de 2009
Foices e Facões - A Batalha do Jenipapo
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