(por Bernardo Aurélio)
Sobre nossas cabeças
Um Astro Rei
Escaldante e eterno
O sangue ferve
Nas veias, no inverno.
Sobre nossas cabeças
Um Astro Rei
Escaldante e eterno
A loucura cresce
Na cidade, no inferno.
(Refrão)
Criaturas diurnas
Forjadas pelo sol
Caminham pelo asfalto
Atravessam prédios,
Ferro e concreto.
Zumbis engravatados
O enorme big-ben
Refletido nos pulsos
Sem vontade própria
Dia-a-dia controlados.
É ele quem dá as regras
Ele é o astro rei
Não há entropia
Abaixe a cabeça,
Apenas faça! Sorria!
As horas estão contadas
Não vá se perder,
Não olhe para a lua
O ciclo lunar é diferente
O sol não se pode deter.
Olhe para o sol
Cegue suas retinas
Não precisa delas
Já sabe o que irá fazer
Quando o dia amanhecer.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Crispim Assassino
(por Bernardo Aurélio)
Quando a lua está alta no céu
E o velho monge desce devagar
Seu corpo surge no véu da noite
Seus olhos assassinos procuram pela vítima,
Procuram pela inocente Maria.
Seus passos descendo a rua escura
Na noite, a solitária criatura.
Muitos anos atrás
A maldição de uma mãe
Caiu sobre sua criança:
“Viverá para sempre no rio!
Até que sete garotas tenha matado,
Maldito filho ingrato!
Não verá mais a luz do sol.
Não entende o amor de uma mãe.
Um monstro que merece esse fim!
Você destruiu minha vida
Tornou real nossa pobreza
Não pode viver com isso
Doente e faminto, ódio e loucura
Você levantou sua mão sobre mim!”
Anos depois, seis garotas
Mortas em gritos e sangue
Quando a sétima cair ao luar
Será o fim da maldição
Basta mais uma cair e sangrar
Com seus livros sobre o peito
Sob a pele pulsa o sangue fresco
Esperando o ônibus, mas é tão tarde
Tão tarde para a pequena menina.
Correndo rua abaixo
Faminto de horror
Ele quer devorá-la
Sangue, suor e pavor.
Cante, cante, menina.
Cante, cante, Maria.
Cante o grito da dor
Liberte Crispim
Liberte Crispim sofredor.
A lua brilha vermelha esta noite.
Seu ódio e fome diminuem
O vento sopra tão forte como açoite
Sua mãe está no inferno, saciada
Crispim não é mais o mesmo
O rio não é mais sua casa amaldiçoada
Mas Crispim não tem mais opção
Seus olhos são como o brilho da lua
A oitava vítima virá logo.
Banhará de sangue novamente a rua
É sua herança, é tudo que tem.
É o que arde no peito.
É fogo.
Quando a lua está alta no céu
E o velho monge desce devagar
Seu corpo surge no véu da noite
Seus olhos assassinos procuram pela vítima,
Procuram pela inocente Maria.
Seus passos descendo a rua escura
Na noite, a solitária criatura.
Muitos anos atrás
A maldição de uma mãe
Caiu sobre sua criança:
“Viverá para sempre no rio!
Até que sete garotas tenha matado,
Maldito filho ingrato!
Não verá mais a luz do sol.
Não entende o amor de uma mãe.
Um monstro que merece esse fim!
Você destruiu minha vida
Tornou real nossa pobreza
Não pode viver com isso
Doente e faminto, ódio e loucura
Você levantou sua mão sobre mim!”
Anos depois, seis garotas
Mortas em gritos e sangue
Quando a sétima cair ao luar
Será o fim da maldição
Basta mais uma cair e sangrar
Com seus livros sobre o peito
Sob a pele pulsa o sangue fresco
Esperando o ônibus, mas é tão tarde
Tão tarde para a pequena menina.
Correndo rua abaixo
Faminto de horror
Ele quer devorá-la
Sangue, suor e pavor.
Cante, cante, menina.
Cante, cante, Maria.
Cante o grito da dor
Liberte Crispim
Liberte Crispim sofredor.
A lua brilha vermelha esta noite.
Seu ódio e fome diminuem
O vento sopra tão forte como açoite
Sua mãe está no inferno, saciada
Crispim não é mais o mesmo
O rio não é mais sua casa amaldiçoada
Mas Crispim não tem mais opção
Seus olhos são como o brilho da lua
A oitava vítima virá logo.
Banhará de sangue novamente a rua
É sua herança, é tudo que tem.
É o que arde no peito.
É fogo.
Lunar
(por Bernardo Aurélio)
Eu vejo o céu
Com olhos vermelhos
Minha cabeça dói tanto
Minha alma grita
A luz da lua
Tão escura esta noite
E meus pesadelos
São bons sonhos
A luz da lua me guia
Corro pelo precipício
Se eu cair, serei livre
Talvez seja melhor
Olho para seus rostos
Tanta gente insana
Eles são loucos!
Vivendo à luz do sol
Vivendo tão pouco.
Não si controlam.
A lua está comigo.
Eles vivem pelo sol
Com a lua estou protegido.
Lunar (Versão em inglês)
(Bernardo Aurélio)
I look to the sky
My eyes are red
My head hurt so much
And my soul scream
The light of the moon
Are so dark tonight
And my nigthmares
Are just like dreams.
The lunar lights guides me
I run closer to the edge
If I fall I will be free
And maybe it will better
I look to their faces
And see anything
Just insanity.
They are so crazy
Living like that
Day after day around the sun.
They don’t control their own lives
The lunar Light its with me
They live inside of madness
The lunar light hold me.
Eu vejo o céu
Com olhos vermelhos
Minha cabeça dói tanto
Minha alma grita
A luz da lua
Tão escura esta noite
E meus pesadelos
São bons sonhos
A luz da lua me guia
Corro pelo precipício
Se eu cair, serei livre
Talvez seja melhor
Olho para seus rostos
Tanta gente insana
Eles são loucos!
Vivendo à luz do sol
Vivendo tão pouco.
Não si controlam.
A lua está comigo.
Eles vivem pelo sol
Com a lua estou protegido.
Lunar (Versão em inglês)
(Bernardo Aurélio)
I look to the sky
My eyes are red
My head hurt so much
And my soul scream
The light of the moon
Are so dark tonight
And my nigthmares
Are just like dreams.
The lunar lights guides me
I run closer to the edge
If I fall I will be free
And maybe it will better
I look to their faces
And see anything
Just insanity.
They are so crazy
Living like that
Day after day around the sun.
They don’t control their own lives
The lunar Light its with me
They live inside of madness
The lunar light hold me.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Meia Noite em Paris

Normalmente eu não faço resenhas sobre filmes. Não é minha praia. Mas eu posso escrever sobre o que gosto e os filmes do Woody Allen sempre me agradam. Não sou nenhum fã incondicional que disseca da filmografia do cara. Assim, de cabeça, lembro que assisti Poderosa Afrodite (1995), Os Trapaceiros (2000), Match Point (2005), Celebridades (1998), Scoop (2006) e agora o Meia Noite em Paris, que vi ontem. Como podem ver, são todos obras recentes. Tenho algumas coisas antigas dele agendadas para ver, como O Dorminhoco (1973) e Tudo o que Você Sempre Quis Saber sobre Sexo mas Tinha Medo de Perguntar (1972)... Mas vão ficar pra depois.
O que posso dizer desses filmes que já vi é que Woody Allen parece melhorar sempre. É impressionante! Entre esses filmes que vi, com exceção de Match Point, que é quase um thriller, diferente dos outros: comédias, ele parece bater sempre na mesma tecla, mas com um estilo particular a cada vez. É gostoso de ver! A verdade é que suas comédias românticas, sempre protagonizadas por ele, mesmo quando não está atuando (vide Kenneth Branagh em Celebridades, ou mesmo o Owen Wilson nesse Meia Noite em Paris), são aqueles filmes que você fica com aquele sorriso de bobo quando os créditos sobem e as luzes acendem. Woody tem o poder de nos transformar em expectadores e só! Nada mais importa! Poderíamos continuar assistindo aquilo até o fim das nossas vidas. E o que mais me impressiona nele é que é completamente despretensioso.

Meia Noite em Paris é um filme que se passa nos dias de hoje sobre um cara que é apaixonado por um passado que não viveu, como se tivesse a sensação de que nasceu na época errada. Ele é encantado pelos anos 20 de Paris, com os grandes artistas que viveram ali naquela época, naquela áurea, como Picasso, T. S. Eliot, Scott Fitzgerald, Dalí e tantos outros que aparecem no filme. É imperdível ver Hemingway desafiando as pessoas para uma boa luta de boxe!

Um filme sobre se encontrar no tempo em que se vive.
É o seguinte: Meia Noite em Paris está em cartaz e, se você nunca assistiu a um Woody Allen, não perca tempo. Ele é um velhinho atrapalhado como vimos em seus filmes e nunca saberemos quando ele poderá bater as botas... Desfrute-o como se fosse a última vez que pudesse fazer isso. Aproveite!
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Vikings e o Local de Brian Wood

Há mais de um ano é publicado na revista mensal Vertigo o título Vikings (Northlanders, no original), de Brian Wood. Eu já conhecia o autor de outra obra chamada Local, editado em dois volumes pela Devir há alguns anos. Lembro que gostei de Local. Tratava-se de uma reunião de contos urbanos, onde uma garota decidida a cair na estrada passava por aventuras cotidianas pelas cidades que atravessava. Cada cidade tinha um clima diferente, uma personalidade e, em algumas vezes, a garota era apenas um coadjuvante. Local tem seus altos e baixos, mas eu recomendo...

Em Vikings, Brian Wood muda o cenário completamente, mas mantém a fórmula de centralizar o enredo em torno da importância do lugar onde se passa a história. Vikings também funciona como contos, a diferença entre esse e Local é que os contos em Vikings se estendem por várias edições, em arcos fechados e independentes entre si... O problema é que, às vezes, os contos não funcionam e se alongam além do necessário. Ou então a história é fechada em uma única edição, como aconteceu em Vertigo nº 17, mas se desenvolve de maneira irritante, com um monte de caixas de textos descompassados com uma cena de luta entre duas pessoas que durou, desnecessariamente, todas as 22 páginas da edição. Novamente, Brian Wood se mostra um bom autor, mas com seus momentos...

Brian também é autor de ZDM (lançado pela Panini em edições luxuosas), mas ainda não li. Sei que o plot da obra gira em torno da ilha de Manhanttan que se torna uma zona militarizada. Me parece mais uma prova de que Brian dá mais importância para o cenário em suas histórias do que para os personagens. Isso é uma característica diferencial.
Recentemente descobri que Vikings será cancelada nos Estados Unidos, na edição 50, para desespero de alguns fãs. Vários são os motivos para o cancelamento de uma revista e, nesse caso, acredito que a qualidade dela não foi levada em consideração. Muitas boas revistas tem baixas vendas e algumas porcarias vendem muito bem, obrigado! Acho que o cancelamento se deve, principalmente, por causa da reformulação que a DC, sua editora original, está sofrendo, passando o rodo geral e cortando vários títulos, mais de 20. O que quero dizer é que há quem goste e que a obra será fechada em 50 edições e, espero que a editora Panini repense o título, tirando-a da revista Vertigo e lançando-a em encadernados para quem realmente fará proveito disso, como fez com alguns arcos de Hellblazer.
Ponto fraco: Brian Wood escreve em 6 edições o que poderia ter feito em 1 ou 2.
Nota 7.5
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Lobo Solitário

Nos dias de hoje, com tantos mangás nas bancas, é muito difícil você escolher um pra começar a ler... Na dúvida, escolha um clássico. Foi o que eu fiz. Depois de muito tempo de costas deitadas na rede terminei os 28 volumes com (300 páginas cada!) de Lobo Solitário, que a editora Panini começou a publicar ainda em 2004.
A obra é, originalmente, da década de 70 e ajudou a definir o que chamamos hoje de Gekigá, que seria o quadrinhos japonês com temáticas adultas. Os culpados são Kazuo Koike (roteiros) e Goseki Kojima (desenhos). Essa dupla criou cenários e histórias diversas em torno de um samurai (Itto Ogami), que teve sua mulher assassinada, e seu filho (Daigoro) em busca de sua vingança inabalável contra a família Yagyu.
Lobo Solitário não possui roupas coloridas nem super poderes de samurais ou ninjas. Não busca a fórmula fácil do sucesso, apesar de usar a figura imponente do samurai e sua famosa honra como argamassa de todos seus enredo. É uma obra gigante que não se preocupa com linearidade e busca sempre novos temas a serem abordados.
Kazuo Koike é, na minha opinião, de tudo que eu já li de quadrinhos, o maior contador de histórias que conheço. A variedade de assuntos trabalhados em sua obra é de impressionar. Muitas vezes, a vingança dos Ogami contra os Yagyu é esquecida e mergulhamos profundamente nos personagens secundários: a geixa, o monge, o lavrador, o pescador, o ladrão... Ou mesmo a criança (Daigoro), perdida em seu silêncio tranqüilizador, é protagonista das histórias mais bonitas e emocionantes da obra.
Lobo Solitário é um título que merece ser lido devagar, com toda a calma que uma rede na varanda pode oferecer. Leia com atenção e entenda que a pétala de cerejeira que cai lentamente no lago demora o tempo que é necessário para você desfrutar quadro a quadro o espaço que ela ocupa naquela página.
Respire fundo e leia como se estivesse meditando.
Nota 10!
Ponto fraco: Acabou!
sexta-feira, 10 de junho de 2011
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