quarta-feira, 17 de setembro de 2014

CdZ é ruim!


OBS: CHEIO DE SPOILLERS!

Assisti ontem ao filme dos Cavaleiros do Zodíaco no cinema. Ele é ruim! Entendo que o filme é muito curto e que precisava fazer cortes bruscos, tem apenas uma hora e meia para tentar resumir quase 70 episódios, até achei algumas saídas bem legais, como o fato do Seiya dizer: “Gente, tenho uma ideia pra gente chegar rápido na próxima casa...” e dá um pulo! Isso é ótimo! Não precisam ficar 3 episódios correndo de uma casa para outra. Afinal, porra!, eles são Cavaleiros do Zodíaco que abrem fendas no chão com um chute! E se movem na velocidade do som, ou mesmo da luz!

Também há recursos bons, como a entrada de Shaka e a aparição de Kamus, bem utilizados para ganharmos tempo, algo precioso nesse filme mas que foi muito mal aproveitado. O começo do filme é unânime! Todos gostamos! Os cavaleiros de ouro lutando no espaço! Que show! A introdução do Seiya e companhia são também muito convincentes, apesar do diálogo de Saori com o mordomo (esqueci o nome desse insignificante e irritante personagem), tipo: “Oi, Saori, você completou 16 anos. Vamos dar um passeio de carro que preciso lhe contar que você é uma deusa reencarnada”. E ela responde, tipo: “Como assim? Ok”.

Máscara da Morte é muito péssimo ou você deve assistir até entender?

Como estava dizendo, o tempo é precioso no filme, mais um motivo para não fazer aquela cena na casa de Câncer. Um musical! Meu Deus! Que vergonha! Nem é pelo musical em si, que é um gênero que eu adoro, mas é porque a cena é ridícula de propósito, pra fazer “otacus” de 10 anos gargalharem. E eu nem sei se isso funcionou porque na sessão que eu assisti a idade média devia estar entre 25 e 30 anos. E ficou um silêncio gélido, mortificante e envergonhado na sala durante toda a cena. Eu olhava para as pessoas ao meu lado e eles tinham a angustiante expressão no rosto: “Isso não vai acabar nunca?”

Esse é o grande problema do filme, talvez apenas para nós, beirando a casa dos 30: o humor demasiadamente infantil. O filme tem três cenas engraçadas (Seiya encostando o dedo no leão, Shiryu palestrando sobre as 12 casa e a galera fugindo do seu discurso, o Seiya tentando explicar o plano pra Saori e sendo atropelado pelos colegas), o resto é puro constrangimento pra qualquer público um pouco mais exigente ou menos imaturo (afinal, estamos falando de CdZ, talvez eu esteja apenas velho demais): toda cena em que o mordomo falava eu queria me enterrar na poltrona e o Seiya gritando, abobalhadamente, com a mão enfaixada na cena com a Saori... Meu deus! Meu dinheiro de volta, por favor!



Vi que o produtor do filme queria apresentar os personagens para um novo público, jovem, mas é preciso lembrar que trata-se de uma homenagem aos 40 anos do criador Kuramada e de 25 anos da obra. Ou seja, uma animação que sempre foi  muito mais ação e drama, preferiu focar agora no humor infantil, quando, na verdade, seu público envelheceu. Um legítimo tiro pela culatra. Quer renovar o público? Façam isso primeiro no mangá e na tv. Os produtores tinham de pensar na plateia global. CdZ é um sucesso mundial há mais de 20 anos, ou seja, conquistar o exigente e sempre reciclado mercado japonês com o cinema não deveria ser a prioridade. “Vamos apostar em quem nós sabemos que gostam de CdZ”, essa deveria ter sido a pauta, aí poderiam continuar fazendo um filme censura 10 anos que o resto do público viria pela boa crítica, os pais trariam os filhos e os sobrinhos, despertando uma nova geração.

Outra coisa, se o objetivo era apresentar os personagens principais, seria muito mais inteligente fazer a Saga do Torneio Galáctico tendo o Ikki como vilão e deixar as 12 casas para depois, já que o produtor tenciona fazer outros longas, porque esse filme foi, na verdade, um grande desserviço para os cavaleiros de bronze. Porque o problema do filme não foi só o humor, foram as lutas nas 12 casas (reparem que eu nem reclamo a falta de sangue censura 10 anos). O que os bronze fizeram contra os cavaleiros de ouro? Nada! Shiryu vence Câncer. Ok. Mas aquele Máscara da Morte até mesmo o Shun venceria. Hyoga vence Kamus. Ok. É a única luta onde um bronze realmente valeu alguma coisa. Nas demais lutas, nenhum cavaleiro de bronze faz nada! Nenhum deles desperta, de verdade, o sétimo sentido, afinal, o que é aquela “bazuca” no braço do Seiya? Até o Ikki! Até o Ikki, que chega botando moral, não faz porra nenhuma. Quem salva o dia é o cosmo da Atena e da alma de Aioros de Sagitário, upando o Seiya.


Hyoga salvando o dia (e eu nunca fui fã dele)

Continuando, se o objetivo era apresentar os protagonistas para uma nova geração, fizeram isso muito mal. Nenhum bronze consegue empolgar nas lutas contra os ouro. Não dá tempo de sentir o cosmo subindo. Não há tensão para atingir o sétimo sentido. Não há drama ou sequer esperança de que os bronze possam fazer algo contra Shura de Capricórnio ou Milo de Escorpião (que é uma mulher e não fez diferença nenhuma). Benza deus que aquele Ikki raquítico não teve de lutar contra Shaka de Virgem. Quer dizer, tudo muito frustrante.


Enfim, a grande vantagem desse filme foi corrigir o lance das armaduras dentro dos colares, que vi no primeiro episódio de CdZ Omega (só vi o primeiro episódio). Porque agora elas continuam dentro do caixote de ferro clássico... Ok, o caixote fica dentro do colar, mas agora está muito melhor.

Obs: É ruim mas eu gostei.

3 comentários:

Renato Tatopolis disse...

hahaha bacana, mas diferente do meu caso, achei ruim e não gostei. Depois da uma olhada na minha crítica. http://mundodeadan.wordpress.com/2014/09/16/saindo-do-forno-cavaleiros-do-zodiaco-a-lenda-do-santuario/

Bernardo Aurelio disse...

vou ver

Bernardo Aurelio disse...

Genial: "Saga, o grande chefão, se tornou apenas um personagem unilateral, sem motivações, virou um personagem mau, apenas para ser mau, todo o conceito de sua dualidade, foi transferida para a estética de sua armadura,que mesmo assim não acrescentou em nada na trama, deixando um personagem raso, vilão de Power Rangers, não foi atoa que ele se transformou em um monstro gigante no final."