segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

CRÍTICA DE ARIANO SUASSUNA SOBRE O FORRÓ ATUAL

CRÍTICA DE ARIANO SUASSUNA SOBRE O FORRÓ ATUAL

'Tem rapariga aí? Se tem, levante a mão!'. A maioria, as moças, levanta a mão. Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, de todas bandas do gênero). As outras são 'gaia', 'cabaré', e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade.

Pra uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá:



Calcinha no chão (Caviar com Rapadura),

Zé Priquito (Duquinha),

Fiel à putaria (Felipão Forró Moral),

Chefe do puteiro (Aviões do forró),

Mulher roleira (Saia Rodada),

Mulher roleira a resposta (Forró Real),

Chico Rola (Bonde do Forró),

Banho de língua (Solteirões do Forró),

Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal),

Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada),

Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca),

Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró),

Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró).



Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas.

Porém o culpado desta 'desculhambação' não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de 'forró', parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado, Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo estético. Pior, o glamour, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.

Aqui o que se autodenomina 'forró estilizado' continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem 'rapariga na platéia', alguma coisa está fora de ordem. Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é: 'É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!', alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.

Ariano Suassuna

Observação:
O secretário de cultura Ariano Suassuna foi bastante criticado, numa aula-espetáculo, no ano passado, por ter malhado uma música da Banda Calypso, que ele achava (deve continuar achando, claro) de mau gosto. Vai daí que mostraram a ele algumas letras das bandas de 'forró', e Ariano exclamou: 'Eita que é pior do que eu pensava'. Do que ele, e muito mais gente jamais imaginou.

Realmente, alguma coisa está muito errada com esse nosso país, quando se levanta a mão pra se vangloriar que é rapariga, cachaceiro, que gosta de puteiro, ou quando uma mulher canta 'sou sua cachorrinha'. Aonde vamos parar? Como podemos querer pessoas sérias, competentes? E não pensem que uma coisa não tem a ver com a outra não, pq tem e muito! E como as mulheres querem respeito como havia antigamente? Se hoje elas pedem 'ferro', 'quero logo 3', 'lapada na rachada'? Os homens vão e atendem. Vamos passar essa mensagem adiante, as pessoas não podem continuar gritando e vibrando por serem putas e raparigueiros não. Reflitam bem sobre isso, eu sei que gosto é gosto... Mas, pensem direitinho se querem continuar gostando desse tipo de 'forró' ou qualquer outro tipo de ruído, ou se querem ser alguém de respeito na vida!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Lei A. Tito Filho está com inscrições abertas

Um dos projetos de incentivo cultural que mais tem dado um empurrãozinho para artistas piauienses está com inscrições abertas. Foi lançado o Edital 2009 da Lei de Incentivo Cultural – Projeto A. Tito Filho, feito por intermédio da Prefeitura de Teresina, Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves e do Conselho Municipal de Cultura. As inscrições podem ser feitas até o dia 15 de dezembro na Sala do Conselho Municipal de Cultura, que funciona no Palácio da Justiça, na Praça da Bandeira.

De acordo com o edital 2009, disponível no site da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves [www.fcmc.pi.gov.br], o projeto contempla as áreas de música, teatro, dança, cinema, fotografia e vídeo, literatura, folclore, artesanato, artes plásticas, patrimônio histórico, cultural e natural, de natureza material e imaterial, bem como pesquisas nas áreas referidas. O objetivo do incentivo é a exibição, utilização e circulação pública dos bens culturais deles resultantes.

Neste ano, o projeto está aberto para artistas, produtores, grupos ou companhias com atuação no Município de Teresina, no qual cada proponente pode inscrever somente um projeto, como autor ou co-autor. Serão disponibilizados R$ 500.000,00 do Fundo Municipal de Cultura para os projetos.

As inscrições são gratuitas são recebidas pela Comissão de Gerenciamento e Fiscalização de Projetos, do Conselho Municipal de Cultura, até o dia 15 de dezembro, exceto aos sábados, domingos e feriados, no horário das 8:00 às 13:00 horas, no Palácio da Justiça, localizado na Rua Coelho Rodrigues, 954, Centro, em Teresina.

Os projetos serão apreciados por uma comissão formada por especialistas escolhidos dentre pessoas de reconhecida competência nas diferentes áreas abrangidas pelo edital.

No ano passado foram inscritos 170 projetos, sendo 56 da área de música, 38 na literatura, 23 de teatro, 15 em vídeo e outros 38 nas demais áreas.

A LEI

A Lei A. Tito Filho (Lei nº 2.194) foi criada em 1993 e já possibilitou o financiamento de cerca de 180 projetos em várias áreas, o que tem contribuído para incrementar o cenário cultural da cidade. O incentivo fiscal às empresas dá-se com o ressarcimento total, pela Prefeitura de Teresina, através de desconto de ISS e IPTU (ou seja, 100% do valor investido no limite de 20% do imposto devido). O artista entrega seu projeto à Secretaria da Lei que o repassa ao Conselho Municipal de Cultura, para apreciação e posterior aprovação nas diversas áreas.

A Lei recebeu esse nome em homenagem ao Professor Arimatéa Tito Filho, escritor, que foi membro da Academia Piauiense de Letras e grande incentivador da produção e valorização da cultura teresinense.

11ª Feira HQ em 2010 já está garantida!

Não há muito o que dizer... Aprovamos a 11ª Feira HQ no edital do BNB. A Feira do ano que vem está garantida!!! Muito obrigado a todos, principalmente à comissão do BNB! Agora é trabalhar! Amos lançar o edital ainda este ano, na feijoada do Núcleo, dia 20 de dezembro!!!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Primeira Resenha de Foices e Facões - Livro resgata episódio histórico pouco lembrado

A resenha abaixo foi publicada no endereço http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/ . O autor, Paulo Ramos, tem um grande currículo: é jornalista, professor universitário e consultor de língua portuguesa da Folha de S.Paulo e do UOL. É também doutor em língua portuguesa pela USP (Universidade de São Paulo), integra o Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP e é co-autor do livro "Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula" (Editora Contexto) além do autor do livro "A leitura dos Quadrinhos".

Leiam a resenha abaixo:

Livro resgata episódio histórico pouco lembrado

A leitura de "Foices & Facões - A Batalha do Jenipapo" (200 págs., R$ 30) revela uma série de surpresas. A primeira é a própria obra em si, lançada neste meio de mês.

É uma produção nacional, que ajuda a reforçar a máxima de que há muito mais quadrinhos fora do eixo Rio-São Paulo, principais polos de concentração editorial do país.

Produzida no Piauí, recupera um episódio histórico vivido no estado em 1823: a Batalha do Jenipapo, que dá título ao trabalho.

Pouco lembrado, o conflito ajudou a consolidar a Independência do Brasil, proclamada um ano antes por Dom Pedro no Ipiranga, em São Paulo.

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A Batalha do Jenipapo envolveu piauienses, maranhenses e cearenses. Moradores dos três estados improvisaram instrumentos de luta para barrar o avanço de tropas portuguesas.

O exército era comandado por João José da Cunha Fidié. O objetivo era forçar os brasileiros da região a manterem, à força, o apoio à Coroa e a Dom João.

O sangrento conflito e os motivos que levaram a ele são relembrados em detalhes na narrativa em quadrinhos. O assunto é esmiuçado com calma, o que dá profundidade à obra.

O livro - outra surpresa - consegue, com isso, diferenciar-se de outras produções do gênero, que se preocupam mais com o aspecto didático para vendas a listas governamentais.

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A história em quadrinhos foi produzida com verba do governo estadual e demorou quase um ano e meio para ficar pronta.

Os autores do projeto e da obra são dois irmãos: Bernardo Aurélio e Caio Oliveira. Este fez a arte; aquele, o roteiro. Ambos integram um núcleo de quadrinhos mantido no estado.

O aprofundamento no assunto, perceptível durante a leitura, possivelmente teve ajuda do lado historiador de Bernardo, formado na área pela Universidade Estadual do Piauí.

Mesmo assim, ele optou por mesclar os fatos com alguns aspectos ficcionais. Parte da narrativa se passa numa fazenda e mostra como se dá a luta entre seus moradores.

***

Numa época editorial em que editoras publicam adaptações literárias e obras históricas como pretexto para gordas vendas ao governo, "Foices & Facões" se diferencia.

A obra mostra que é possível fazer obras assim com qualidade e com o aprofundamento necessário. É um caminho que poderia servir de espelho para futuras produções do gênero.

O conteúdo é acessível, mas não simplificado a tal ponto que transforme a narrativa num retalho fragmentado e vago do episódio histórico e de seus motivos.

E ajuda a relembrar o episódio a brasileiros e, em particular, os do Piauí, que tem na data um dos alicerces históricos do estado.

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A obra é vendida em algumas lojas de quadrinhos de São Paulo e do Piauí. Outra forma de comprar é pelos e-mails: bernardohq@hotmail.com / nucleodequadrinhos.pi@gmail.com

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Foices e Facões - Entrevista

Essa entrevista foi feita comigo durante a 10ª Feira HQ pela amiga e jornalista Layani Prado e também está em seu blog (http://notas-de-rodape.blogspot.com/search/label/Quadrinhos). Dêem uma lida!


O que o levou a escolher o tema da Batalha do Jenipapo e porque retratá-la em Quadrinhos?
O que me levou foi que eu trabalhei na Fundação Cultural do Estado há quase três anos e lá na fundação eu tive acesso a vários ensaios e apresentações da peça de teatro de Aci Campelo que é executada sobre a Batalha. Então, eu vi essas apresentações, vi os personagens dialogando e interagindo e vi uma boa história, eu achava que tinha todo um apelo que uma boa história de quadrinho precisa ter, era uma boa história pra ser contada. Também sou formado em História pela UESPI e tive contato com alguns textos sobre a Batalha ainda no meu meio de formação e gostei muito dos textos do Monsenhor Chaves. Achei a literatura dele muito boa, a forma como ele relatava era bem interessante. E a Batalha é um tema recorrente aos piauienses, é um tema que enaltece a gente, é um tema que muitos artistas procuram trabalhar e eu já tinha escutado o próprio Amaral falando de trabalhos em artes gráficas da batalha, então achei que daria pra fazer um bom trabalho. Em quadrinho porque é minha área, onde eu trabalho e resolvi trabalhar com quadrinho porque é o que eu faço de melhor.

Como foi fazer a revista? Você se encarregou de todo o processo?

Eu fiz um projeto e eu trabalhava na Fundação Cultural ainda, se eu não me engano em abril de 2008 e eu apresentei o projeto direto pro governador e pra Sonia Terra e de imediato eles aprovaram a revista. O processo foi muito simples, foi basicamente eu e meu irmão que fizemos a revista. Eu fiz o roteiro meu irmão fez todos os layouts das páginas, eu fiz toda a arte final e editoração. Basicamente um trabalho a dois, mas no final da revista eu convidei várias pessoas conhecidas, desenhistas chargistas que participaram, então tem mais 15 convidados que produziram a ilustração e preenchem a revista. Além de meu primo Pedro Victor e o Antônio Victor que são os desenhistas que fizeram a capa, foi muito importante a capa deles, fiquei muito satisfeito com a capa que eles fizeram.

O fato de ser historiador te ajudou a fazer o roteiro da revista?

Muito. O que eu mais gostei no meu curso de História foi da não ilusão de uma história total ou da busca da verdade. Então eu tive essa consciência de que eu ia contar uma história oficial, uma historia pro governo, de que é uma historia vendida pro governo, mas eu tinha consciência de que eu queria algo autoral também. Autoral e verdadeiro, por isso eu criei um núcleo fictício pra historia, eu tentei humanizar os personagens. Inclusive o próprio Fidié que é pintado como um grande vilão pela historiografia oficial. Na verdade eu não culpo a historiografia, mas eu culpo o senso comum que as pessoas têm do Fidié. Até vulgarmente falando, chamam ele de “fidiégua” e pelo contrario, achei um personagem excelente, o personagem que eu mais gostei de trabalhar na história. Acho que porque eu tinha essa intenção de mostrá-lo como um bom soldado.

No processo criativo foi seu irmão quem fez as ilustrações, mas você deu opinião e disse como deveria ser tal personagem, alguma coisa do tipo?
Foi um processo de criação interessante porque a gente praticamente não fez layout dos personagens, a gente não criou a priori os personagens, não concebemos assim. Foi desenhando, fazendo e mostrando. Na hora que o personagem aparecia agente discutia rapidamente como seria e normalmente eu fazia uma referência. Muitas pessoas não sabem, mas a cara de nordestino do Teobaldo é inspirado num personagem que não tem nada a ver com os nordestinos que é um personagem Lance Henriksen que é o ator de Millenium, uma serie norte americana, então quando eu vi o lance eu disse pô o Teobaldo tem a cara do Lance que é uma cara fechada, uma cara com rugas, riscada seria. Então, eu fiz algumas referencias assim. O personagem Português, que é o personagem que faz o par romântico, o Thiago diz que ele é parecido com o Felipe Dylon. Algumas referencias haviam, mas a gente não tinha imagem nem nada parecido pra nos basear. É muito difícil, não existem recursos visuais desse período no Piauí, é praticamente inexistente. Fotografia se existisse no Brasil, não tinha chegado ainda aqui no Piauí. Então, as referencias foram assim. Em alguns momentos o roteiro foi sendo adaptado para a necessidade do Thiago de quadrinizar. O Thiago não fez somente desenhar o roteiro, ele adaptou o meu texto, o meu texto não era o roteiro técnico, e nessa adaptação ele cortou algumas coisas tirou outras, claro que a gente sempre ia conversando. Em alguns momentos eu fiz layout de algumas páginas porque em alguns momentos o texto era pouco descritivo ou era muito descritivo e ai era complicado de quadrinizar. Então 3 ou 4 paginas o layout quem fez fui eu. É um processo muito híbrido, inclusive eu nem queria determinar quem fez o que na história em quadrinhos, eu ia colocar só Bernardo e Thiago, pronto! A gente fez tudo.

Quanto tempo levou desde a idéia da revista até tê-la publicada?
O projeto foi apresentado em Abril de 2008 e se a gente contar a partir do momento que eu fiz o projeto já ta com um ano e 5 meses, mas eu só fui começar a desenhar de fato em Setembro do ano passado então eu digo que foi um ano. Em Setembro do ano passado eu saí da FUNDAC, comecei a fazer o roteiro e foram 4 meses de roteiro e nesses 4 meses foram 8 meses desenhando as 152 páginas que dá quase 20 páginas por mês que é uma media razoável.

Quais foram os recursos gráficos que você usou para confecção da revista? Foi tudo manual?

Foi tudo manual. Houve um tratamento final das páginas no computador, o tratamento foi feito pelo Pedro Victor. Ele quem escaneou todas as paginas. Havia um ou outro erro na pagina, tipo uma caneta que passava do ponto na hora de fazer o quadrinho, então ele retocava a linha, um borrão de nanquim que saia do quadrinho, então esse tratamento visual foi feito depois, esse tratamento é como uma limpeza na página ela não interfere tanto assim na revista. É um retoque. Então, eu diria que 99% da revista foi feito toda manualmente mesmo. Todo o texto foi colocado posteriormente pelo computador no Corel Draw.

Você acredita que esse livro contribui em que aspectos para a história do Piauí?
Bom, a história de forma geral é uma coisa que precisa ser sempre buscada, precisa ser sempre revista. Eu não nego que, de certa forma, essa minha história é muito auspiciosa. Eu tinha a necessidade de fazer a história auspiciosa e didática então, não tenho grandes pretensões de releituras da história da batalha do jenipapo, minha intenção não era essa. Mas ela tem um caráter fundamental que é de popularização da historia tradicional, eu apresento os fatos que delinearam a história numa linguagem que é mais comum, mais acessível. Então o fator fundamental dessa revista é a facilidade de apresentar algo que o Estado e que o povo do Piauí precisa conhecer mais e quer conhecer. O estado tem interesse, tem reverenciado cada vez mais a batalha do Jenipapo, e a história em quadrinhos só tem a acrescentar na totalização da temática. Inclusive outras edições em tiragens mais simples, com o formato mais barato pra distribuição gratuita a gente espera que aconteça.

De onde veio o interesse pelos quadrinhos?
É bem antigo. Eu sou o caçula de uma família de 3 e nós 3 desenhávamos. O meu pai desenhava. Nosso pai, na verdade, sempre foi envolvido com arte e desde criança ele nos envolvia de alguma forma. Levava-nos ao teatro, quando tinha, então a gente via espetáculos cênicos, ele nos levava a shows musicais, nos presenteava com brinquedos musicais e nos presenteava justamente com histórias em quadrinhos. Então, a gente sempre teve um leque de profissões artísticas pra escolher e a história em quadrinhos venceu todas elas, foi a mais atrativa. Desde criança a gente desenha com o nosso pai, que também rabiscava, desenhava e pintava. Foi daí. Minha inspiração foi mesmo o Thiago, que desenha comigo. Ele era uma pessoa mais próxima de mim que desenhava bem melhor que eu. Eu ia aprendendo com ele, à medida que ele ia aprendendo também.

Nada mais oportuno que lançar a revista numa feira de quadrinhos, como foi a realização da feira?
São 10 anos. A décima edição precisava ser especial, não só por ser a décima em si, mas esse ano a gente tinha a necessidade de fazer alguma coisa diferente. Porque inclusive, de uns três anos, a feira vinha decaindo de público, vinha decaindo de atrativos. Apesar de a gente premiar e selecionar a feira em editais públicos como o BNB. A gente premiava, conseguia melhorar a feira, do ponto de vista competitivo tinha publicação, mas de público a feira vem caindo. A gente necessitava fazer uma feira que melhorasse de público, e esse ano foi muito especial. A gente conseguiu esse objetivo, a gente lotou a galeria com atrações não só de quadrinhos, de exibição de desenhos, de shows, de teatro, então foi uma feira muito interessante pra estar aqui nesse momento com essa revista sendo lançada aqui. Inclusive, eu acho a revista mais importante para a história do quadrinho no Piauí do que pra história do Piauí.

Com a realização da feira e dessa revista, como que você avalia a produção cultural de quadrinhos no Piauí?
No ponto de vista dos quadrinhos, a feira vem melhorando nos pontos de publicação e premiação. A gente tem feito isso bem, tem republicado os premiados, e essa é uma publicação importantíssima que marca um selo. Um tipo de publicação que a gente quer dar continuidade. Inclusive, o núcleo de quadrinhos ajudou o Edinaldo Carvalho, que é um autor que foi premiado com a lei Tito Filho, com um romance gráfico, que é uma forma mais pomposa de realizar quadrinho, o Graphic Novel do Cabeça de Cuia. A gente vai lançar esse ano. Então é um momento marcante, é um momento que a Batalha do Jenipapo tem que ter uma vitrine, que as pessoas que fazem quadrinhos no Piauí vejam que podem publicar obras densas, que só os quadrinhistas podem trabalhar, e se superar fazendo. Deixar de fazer coisas pequenas pra deixar guardado na gaveta e apresentar propostas mais grandiosas, eu acho que esse momento serve pra isso, pra mostrar. Eu tenho outro projeto, já estou desenvolvendo outros projetos e eu acho que o momento é daqui pra frente, tentar não parar.

O mais prazeroso e mais trabalhoso, foi a feira ou o livro?
A feira com certeza. Desenhar a história em quadrinho foi muito gostoso. Trabalhar com meu irmão e a gente escolhia o dia que trabalhava, a hora que trabalhava e ser seu próprio patrão é muito bom. A feira de quadrinho demanda outros fatores muito maiores que seu próprio prazer, a sua hora de decidir o que vai fazer, a feira é muito mais complicada.




A revista Foice e Facões - A Batalha do Jenipapo está à venda e custa 30,00. Para comprar a revista e recebê-la em casa basta depositar o valor na conta de CAIO THIAGO de Andrade Oliveira BB Conta Poupança 26.661-2 AG 3285-9 e mandar uma cópia do comprovante de depósito para bernardohq@hotmail.com juntamente com seus dados e endereço completos.

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sábado, 10 de outubro de 2009

LANÇAMENTO DA REVISTA FOICES & FACÕES EM SÃO PAULO

Os irmãos Caio Oliveira e Bernardo Aurélio (piripirienses ) estarão em São Paulo no dia 15 de outubro lançando seu livro “Foices e Facões – A Batalha do Jenipapo” na livraria especializada em quadrinhos HQ MIX (Praça Roosevelt, nº 142. Centro - São Paulo - SP). A banca é referência no que diz respeito a quadrinhos em São Paulo e seu homenageia o nome do principal prêmio do quadrinho nacional, criado a mais de vinte anos delo dono da banca, Gualberto Costa, que já esteve em Teresina várias vezes durante o Salão Internacional de Humor. Na primeira vez que esteve aqui, no início da década de 1990, Gualberto Costa ministrou uma oficina sobre a construção de um Núcleo de Quadrinhos, o que foi o ponto de partida para o atual Núcleo que realiza há mais de dez anos a “Feira HQ”, principal evento competitivo de histórias em quadrinhos no Estado, e instituição através da qual Bernardo Aurélio é o presidente e pôde realizar a produção do seu sobre a batalha do Jenipapo.



RELEASE

Foi sangrenta a reação das províncias do norte ao grito do Ipiranga e ao plano da coroa portuguesa de recolonizar parte do Brasil. Piauí, Ceará e Maranhão foram palco da última tentativa de Dom João VI de manter sua colônia, que levou os interesses brasileiros e portugueses ao campo de batalha.

Em 13 de março de 1823, Campo Maior, pequena vila piauiense, encenou o mais importante episódio que o Piauí pode contar na história da construção e unificação do Brasil independente. Uma história sobre liberdade e unidade nacional diante das ameaças que dividiam o país. Sobre o ódio que surge entre portugueses e brasileiros, colonizadores e colonizados.

Neste cenário, uma família de vaqueiros assiste a tudo e se vê no dever de participar da luta armada, engrossando o corpo de dois mil homens do campo, roceiros e escravos que tiveram de enfrentar o exército imperial lusitano. A história dos anônimos que lutaram pelo ideal separatista. Sobre o papel de cada homem diante de um cenário de guerra e sua responsabilidade com a própria família, dividido entre o dever de matar e de viver, simplesmente.

“Foices e Facões – A Batalha do Jenipapo” tem autoria de Bernardo Aurélio e Caio Oliveira e narra o famoso evento que destacou o Piauí durante o processo de independência do Brasil. É uma obra patrocinada Governo do Estado do Piauí e realizada pelo Núcleo de Quadrinhos do Piauí, associação que organiza a Feira HQ, que este ano chegou a sua 10ª edição, ocasião na qual o livro foi lançado. A primeira tiragem terá 80% dos livros doados gratuitamente em escolas, bibliotecas públicas e instituições culturais sem fins lucrativos.


Bernardo Aurélio, nascido a 27 de setembro de 1982, é presidente do Núcleo de Quadrinhos do Piauí, que realiza há mais de dez anos a ‘‘Feira HQ’’, maior evento de quadrinhos do Estado. É formado em Licenciatura Plena em História, pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI, com especialização em Artes Visuais pela Universidade Federal do Piauí - UFPI.

Caio Oliveira, natural de Piripiri-PI, nascido a 11 de junho de 1979, é formado pelo Curso de Quadrinhos da Quanta Academia de Artes - São Paulo, criador da tirinha ‘‘Os Tímidos’’, publicado no jornal Meio Norte e ficou entre os semi-finalistas no concurso internacional ‘‘Comic Book Idols’’


Foices e Facões – A Batalha do Jenipapo (200 páginas. 15,5 x 22 cm. R$ 30,00)

Interessado em comprar por correios? Deposite o valor na conta de CAIO THIAGO de Andrade Oliveira BB CONTA POUPANÇA 26.661-2 AG 3285-9, mande uma cópia do comprovante de depósito para bernardohq@hotmail.com junto com seu endereço e o livro chega à sua casa, sem custos adicionais...

domingo, 20 de setembro de 2009

Resultado 10ª Feira HQ

PREMIADOS 10ª FEIRA HQ – 2009

PUBLICAÇÃO

3º – Prego, de Alexsander Vieira, de Vila Velha-ES
2º – Gente Feia na TV, de Alexsander Vieira, de Vila Velha-ES
1º – Samba, de Gabriel Goes, Gabriel Mesquita e Lucas Gehre, de Brasília – DF.

ILUSTRAÇÃO INFANTO JUVENIL

3º – Nazareth Machado, de Marina Romero, de Teresina – PI.
2º – Haverick, de Francisco Carvalho Neto, de Teresina – PI.
1º – Amatertsu, de Lucas Rodrigues, de Teresina – PI.

HISTÓRIA EM QUADRINHOS INFANTO JUVENIL

Morrer ou viver? Eis a questão, de Matheus Barbosa, de Teresina – PI.

ILUSTRAÇÃO

3º – Morley Cigarrets, de Danielle Dantas, de Teresina – PI.
2º – Sem Título, de Gabriel Goes, de Brasília – DF.
1º – Beautiful Black Babe, de Esaul Furtado, de Teresina – PI.

MELHOR ROTEIRO PARA QUADRINHOS


3º – Marcas, de Samuel Carneiro Chagas, de Timon – MA.
2º – Uma História de Muitas Cidades, de Marcelo Oliveira, de Salvador - BA
1º – O Elíptico, de Jaison Castro Silva, de Teresina – PI.

MELHOR DESENHO PARA QUADRINHOS
3º – Uma História de Muitas Cidades, de Marcelo Oliveira, de Salvador - BA
2º – Réquiem para o Diabo, de Edinaldo Ferreira, de Teresina-PI
1º – A Obra de Arte, de Antonio Cardoso, Timon – MA.

HISTÓRIA EM QUADRINHOS ESTILO MANGÁ
3º – O Fio da Meada, de Ludmila Monteiro, de Teresina – PI.
2º – Para Aqueles que Não Leram esse Livro, de José Chaves Filho, de Teresina – PI.
1º – Ginga Brasil, de David Lima, de Teresina – PI.

MELHOR HISTÓRIA EM QUADRINHOS
3º – Sim, Kimosabe, de Betir Lopes, de Manhaçu – MG.
2º – Jimmy Black Dog, de Dereck L. Teixeira, de Teresina-PI
1º – Sobre Nuvens e Sombras, de Zorbba Igreja, de Teresina - PI