sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Amaral na Alemanha

Por Bernardo Aurélio



Amaral: não lembro quando ou como foi que o conheci enquanto pessoa, nem sei se essa lembrança é importante... Mas lembro vagamente de quando o conheci através da sua arte. Acho que foi em 1998, eu fazia o 1º ano do 2º grau e teve o lançamento de uma edição da Pulsar na minha escola, revista que ele editou e que tinhas HQs de sua autoria. Pouco depois, um senhor de óculos, um senhor muito gentil e de gargalhada explosiva, me ofereceu umas HQs de sua coleção, assim, de graça: era o Zé Elias, quem os senhores devem conhecer... Dele, eu ganhei minha primeira Hipocampo.

Ali, naquela edição roxinha eu aprendi a reverenciar a Lanterna do Peixe sempre que estiver passando por Berilo II.

Para não me estender em elogios ao Amaral, contenho-me em lembrar que certa vez enchi-me de coragem e disse: "Cara, não entendo quase nada do que tu faz, mas gosto de ler". Então ele me olhou complacentemente e com uma pitada de sorriso e disse: "É por aí mermo, Bernaldim".

Não preciso apresentar a vocês o currículo desse cara, apenas dizer o que certa vez ele já me disse: "Sou um artista plástico que faz quadrinhos". Ou seja, antes de ser um narrador ele é um ilustrador. Um ilustrador que verbaliza as imagens depois de prontas. E foi com esse talento que ele inovou a arte sequencial enquanto arte.

Talvez por isso, alguém no Instituto Goethe achou por bem levar esse campomaiorense construído à base de farelos de mandioca e elétrons de rapadura para a Alemanha... Aliás, dizem até que a rapadura é marca registrada por lá. Esse povo Alemão tem bom gosto.

Levaram este cabra para a Alemanha e trataram até de tentar ensiná-lo a falar a língua nativa. Agora vocês imaginem ler o Hipocampo em alemão! É isso que tá aqui nesse "Osmose". Claro que trata-se de uma edição bilíngue com o palavriado de lá e de cá, ainda bem...

Como estava explicando, Osmose é fruto de um projeto de residência artística, de intercâmbio cultural antropológico onde 3 brasileiros foram para a Alemanha e 3 alemães vieram para o Brasil. Tudo que esse povo precisou fazer foi passar um mês fora de casa, num país estranho, com tudo pago pra depois cada um contar numa HQ de 10 páginas suas impressões sobre essa experiencia... Depois dizem que artista é folgado.

Ficou um livro lindão, muito curioso e que vale à pena conhecer.

ALOZEFÃ!

Um comentário:

antonio padua disse...

assim, eu fico encabulado!